Liturgia Dominical: ” A oração se nutre de fé e não de fórmulas”

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Vigésimo Nono Domingo do Tempo Comum
A oração se nutre de fé e não de fórmulas
O homem precisa de Deus tanto quanto precisa da água e do oxigênio. No entanto percebemos o quanto nos falta a prática da oração. E como esta falta nos empobrece.
As leituras deste domingo supõem a dificuldade do homem diante da oração e propõem a resposta. Vejamos a primeira leitura. Apresenta uma cena grandiosa: Moisés reza e, enquanto ele reza, o povo combate e vence. É claríssima a afirmação que a oração é sustento da ação e que a pretensão de mudar o mundo só com as nossas forças inevitavelmente leva ao naufrágio. João Paulo II já dizia: “Uma jornada sem oração é uma jornada perdida”.
Mas para sentir a força da oração é necessário rezar verdadeiramente. Como? Responde o evangelho com uma parábola. Jesus de fato apresenta a situação de uma mulher frágil, roubada dos seus direitos, mas que, porém, não se cansa de pedir justiça a um juiz frio, insensível e desumano. O juiz da parábola é uma figura odiosa, mas Jesus não quer apresentá-lo como exemplo; quer sim destacar o comportamento da mulher que não se cansa de rezar. E ela vence, a viúva. E obtém justiça.
O comportamento da viúva revela uma grande vontade e uma grande humildade. É exatamente para esta atitude que Jesus quer chamar-nos atenção. Aqui Jesus revela as condições da verdadeira oração: a fé. A parábola de fato termina de modo insólito: “Mas o Filho do Homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” (Lc 18,8). É uma interrogação que causa impacto. Uma interrogação que coloca o dedo sobre a chaga: sem fé não existe oração, mas somente fórmula de oração.
E a fé, o que é? Crer em alguém significa abandonar-se, entregar-se com total confiança. Crer em Deus, então, significa abandonar-se, entregar-se a Ele; contar totalmente e confiantemente com Ele. Por isso a oração de fé, a oração mais bela consiste em um “sim”. A oração, de fato, é o respiro do coração pleno de amor.
Maria de Nazaré se revela mestra extraordinária da oração. O que ela diz ao anjo? “Eis-me aqui! Diga ao Senhor que pode me conduzir aonde ele quer”. E Jesus sobre a cruz? “Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito”. Para nós pecadores o modelo de oração é aquele do publicano: “Senhor, tende piedade de mim”. São as verdadeiras orações, aquelas que fazem mudar a vida; aquelas que abrem a Deus o espaço para agir. A direção da oração deve ser uma só: dar um passo na direção da vontade de Deus, abandonar-se em seus braços, porque só Deus pode curar as nossas misérias.

Dom Edilson Soares Nobre
Bispo Diocesano de Oeiras

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