Liturgia Dominical: “A contemplação gera a ação concreta”

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XVIII Domingo do Tempo Comum

Observa o evangelista Mateus: “Jesus partiu e foi de barco para um lugar deserto e afastado” (Mt 14,13). E, depois da multiplicação dos pães, o evangelista registra: “Tendo despedido as multidões, Jesus subiu ao monte, a fim de orar a sós” (Mt 14,23). Este era o comportamento constante de Jesus. Se Ele, o Filho de Deus, sentia a necessidade do silêncio, quanto mais nós homens e mulheres. Somos carentes desta experiência, mas nem sempre nos damos conta por causa do agito e do barulho constante da sociedade hodierna. Gandhi, mesmo não sendo cristão, entendeu tudo isto e honestamente declarou: “A oração me salvou a vida. Sem ela eu seria louco há muito tempo”. A contemplação gera a ação. O silêncio não tem um fim em si mesmo: o silêncio é comunhão com Deus e, portanto, é enriquecimento para melhor viver, para melhor amar, para melhor servir.

Aprendamos com Jesus: o Mestre! Depois da oração nós o encontramos aberto aos outros. A sua oração, de fato, é um trunfo no fogo do amor do Pai que o leva ao dom e à compaixão. Entremos no coração do Evangelho de hoje e constataremos o que acabamos de dizer: quando Jesus desce da barca, depois de um prolongado tempo de silêncio, encontra uma grande multidão que o espera; ele então se comove e exprime no milagre toda a sua misericórdia. Acontece assim também conosco? A nossa oração dá estes frutos? Quando nós saímos da oração, nos sentimos ardentes do Amor de Deus que leva à infinita caridade? Depois da participação da santa Missa nos queima no coração a Paixão de Cristo e o desejo de dar a vida junto a Ele?

Eis, portanto, o movimento da autêntica oração: silêncio para recolher-se; recolhimento para rezar; rezar para amar com a mesma força do Amor de Deus. Se a oração não desemboca em amor, algo não vai bem!

Por trás do milagre. Jesus, ao realizar o milagre da multiplicação dos pães segue um percurso que contém um grande ensinamento. Ele, de fato, antes do milagre exige a  contribuição “humana” dos cinco pães e dos dois peixes, e somente sobre esta contribuição ele entra o com o peso do seu amor onipotente. Qual a lição que se esconde por trás deste comportamento do Mestre? Ele com clareza nos diz que não devemos esperar de Deus aquilo que Deus nos deu como responsabilidade. Se falta a contribuição da nossa condivisão e da nossa generosidade, negamos o espaço para a manifestação do poder de Amor de Deus. Apliquemos à situação de hoje esta mensagem de Jesus. Hoje o mundo é dividido de modo escandaloso entre ricos e pobres. O que falta nesta sociedade para garantir a todos o pão de cada dia? Uma intervenção de Deus, ou uma mudança no coração dos homens? Deus já colocou em nossas mãos a chave que resolve o problema: chama-se participação, condivisão, caridade. Isto nos leva ao discurso inicial, ou seja, à oração autêntica, à oração que emerge na caridade de Deus.

Neste tempo em que vivemos, tão propício à oração, venho lembrar a todos que no mês de agosto, a Igreja pede de nós que intensifiquemos nossas orações pelas vocações. A Conferência dos Bispos do Brasil, através da Pastoral Vocacional nos propõe refletirmos o tema: “Amados e chamados por Deus” e toma como lema: “És precioso a meus olhos…Eu te amo” (Is 43,4). Rezemos por todos estes filhos e filhas que, como fruto da oração respondem ao chamado de Deus, colocando suas vidas a serviço da construção de seu Reino. Neste primeiro domingo nossas orações se dirigem ao Senhor da Messe por todos os clérigos espalhados pelo mundo que correspondem em média ao número de 467.881 entre bispos, sacerdotes e diáconos. Os bispos são 5.377, os padres são 415 mil e os diáconos 47.504. Rezemos por estes servos de Deus e por aqueles jovens que vivem o processo de formação, na busca do exercício deste ministério para melhor servir ao povo de Deus. Que tudo seja para a maior glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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