Liturgia Dominical: “A caridade é a veste nupcial”

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XXVIII Domingo do Tempo Comum

 

Deus nos convida à festa. “O reino dos céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. E mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa” (Mt 22,2-3). Estas parábolas de Jesus nos revelam com clareza que Deus deseja presentear a todos com uma grande festa. Se esta é a intenção declarada de Deus, nós devemos ser profundamente otimistas: o crente, na medida em que é crente, tem no coração uma reserva inexaurível de alegria que resiste em meio a todas as provas e todos os sofrimentos na breve viagem da vida na direção do “banquete”.

Os santos têm acolhido esta maravilhosa notícia e as suas vidas tornaram-se um hino de alegria. Por este motivo o magnificat, saído do coração de Maria Santíssima, torna-se sempre atual na vida dos santos.

“Mas os convidados não quiseram ir” (Mt 22,3). Parece incrível o que Jesus descreve na parábola. É possível refutar o convite de Deus, é possível fechar-se no orgulho e tornar-se prisioneiro da solidão e da infelicidade. As palavras de Jesus fazem uma referência imediata ao comportamento do povo de Israel: este povo, de fato, foi preparado por Deus para a hora do Messias, mas quando chegou a hora do Messias poucos o acolheram e muitos o refutaram. O coração de Jesus sofre imensamente por este comportamento e um dia chegou de fato a chorar diante de Jerusalém: “Jesus se aproximou, e quando viu a cidade, começou a chorar. E disse: ‘Se também você compreendesse hoje o caminho da paz! Agora, porém, está escondido aos seus olhos!’” (Lc 19,41-42).

É o mistério da liberdade humana que pode tornar-se pecado. Pode tornar-se refugo de Deus! Mas Deus nos adverte sobre o risco do nosso não: perder Deus significa perder a festa. Refutar Deus significa refutar o banquete da alegria.

“Ide até as encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes” (Mt 22,9). O evangelista Lucas, a este respeito acrescenta: venham ao banquete os aleijados, os cegos, os mancos, etc. Isto significa que os pequenos, os simples, os desacreditados, os pobres, os humildes quase sempre compreendem melhor e acolhem com mais fervor a salvação de Deus. De fato quem pensa de ter tudo corre o risco de não apreciar nenhum dom, nem mesmo o dom de Deus.

A conclusão é clara: a humildade chega a ver a verdade e, portanto abre o coração a Deus. Tantos problemas de fé são simplesmente problemas de orgulho. Mas – continua a parábola – pode verificar-se a possibilidade de um “sim” mentiroso. Ou seja, se pode dizer “sim” com os lábios e depois contradizer-se com uma série de comportamentos incoerentes: é o caso do convidado que se encontra sentado à mesa sem o traje da festa. Mas o que é esta veste? Responde São Gregório Magno: “A caridade é a veste nupcial, é desta que Cristo se reveste para unir-se à sua Igreja”.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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