Itinerário do Advento: Testemunho da Luz

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As trevas, sempre, nos enchem de medo e, não raras vezes, despotencializam a nossa força, o nosso ânimo, a nossa visão e a nossa segurança. As trevas nos submetem à insegurança de quem vive, no mundo, às apalpadelas; nos impõem a cegueira de uma busca, tateando o vento; nos limitam à procura daquilo a que possamos nos agarrar ou, quem sabe, uma provável saída.

As trevas são o terror da vida e o fim do mundo. Mas, é bom que tenhamos claro que, as trevas não são, simplesmente, a escuridão das noites ou o breu de um blecaute, no meio da tempestade. As trevas são a perda do referencial e do sentido da luz para a vida: seja a luz para clarear os pés e o caminho, seja a luz para discernir o comportamento e as atitudes.

É evidente que ninguém deseja viver nas trevas. Mas, o fato é que estamos caindo, o tempo todo, em situação de trevas. E, o pior é que, nem sempre, nos damos conta da situação ou, em caso extremo, nem fazemos conta disso.

Situações de trevas, por um lado, são frutos de condicionamentos externos como a alienação, a opressão, a servidão, o materialismo, o hedonismo, o consumismo, o pansexualismo, a erotização, a violência e as diversas banalizações. Por outro lado, situações de trevas são frutos dos inúmeros apagões internos: o individualismo, o egoísmo, o orgulho, a indiferença, a discriminação, o ódio, a mentira, a usura, a corrupção, a perda do caráter e toda sorte de desprezo ético, desvalorização moral e desumanidade.

O império externo das trevas é violento e desmobilizador. Mas, muito mais violento e destruidor é o apagão interno que, incide contra todo valor e princípio que edifica a vida. Ora, será difícil conter o progresso externo das trevas, sem uma assertiva tomada de decisão quanto à construção ou reconstrução da coerência interna, como princípio de luz e iluminação. De fato quem tem a luz é iluminado: ilumina através de tudo o que faz; ilumina onde quer que esteja; ilumina por onde quer que passe. Trata-se, portanto, do testemunho da luz.

Mas, afinal de contas, como dar testemunho da luz, sem experimentar a luz?

Disse Jesus: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas possuirá a luz da vida” (Jo 8,12). E asseverou: “Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo” (Jo 9,5).

O testemunho da luz não é um privilégio: é um chamado-missão que, corresponde a uma resposta. “Apareceu um homem enviado por Deus, que se chamava João. Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas apenas a testemunha da luz. João declarou: ‘Eu sou uma voz gritando no deserto: «Aplainem o caminho do Senhor», como disse o profeta Isaías’” (Jo 1,6-8.19-23).

Critérios de fé-bíblica para o testemunho da luz:

João 11,9-10. “Se alguém caminha de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas se alguém caminha de noite, tropeça, porque nele não há luz.”

João 3,20-21. “Quem pratica o mal, tem ódio da luz, e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam desmascaradas. Mas, quem age conforme à verdade, se aproxima da luz, para que suas ações sejam vistas, porque são feitas como Deus quer.”

João 12,35-36. “Procurem caminhar enquanto vocês têm a luz, para que as trevas não alcancem vocês. Quem caminha nas trevas não sabe para onde está indo. Enquanto vocês têm a luz, acreditem na luz, para que vocês se tornem filhos da luz.”

1Ts 5,19-22. “Não extingam o Espírito, não desprezem as profecias; examinem tudo e fiquem com o que é bom. Fiquem longe de toda espécie de mal.”

Mateus 5,14.16. “Vocês são a luz do mundo. Assim… que a luz de vocês brilhe diante dos homens, para que eles vejam as boas obras que vocês fazem, e louvem o Pai de vocês que está no céu.”

Por que não temos luz própria, precisamos dizer com o profeta: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque Ele me ungiu” (Is 61,1-11).

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

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