Humana Comunicação humana

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A grande obra da comunicação humana não depende, tão somente, da ampliação dos recursos e meios de comunicação e interatividade. Evidentemente que não. Alias, diga-se de passagem, nos últimos dez anos, temos assistido a uma maximização das formas de comunicação que beira a linha da exaustão.

É incrível que, até mesmo nos lugares mais distantes e, por vezes, inacessíveis as pessoas têm, ao seu alcance, aqueles recursos e meios de comunicação globalizante. As pessoas estão, o tempo todo, conectadas com o mundo. E não existe limite de idade. Conexão, é agora, o nome da comunicação social, com definição digital e em rede.

A vida ganhou novas facilidades, principalmente, com o uso dos celulares que agiliza tudo e, ainda, é uma grande opção de lazer. Tudo na mão e decidido por cliques!

A indústria das inovações tecnológicas trabalha, incansavelmente, para abastecer um mercado, sempre mais, ávido de consumo e insaciável de lucro.

A fórmula produção-consumo tem dado certo e vai muito bem, obrigado… que o diga o trânsito do capital (concentrado).

O ideal da comunicação tem acontecido sim, porém, muito mais como troca de conteúdos, informações e mensagens a distância, do que como diálogo, partilha e aproximação calorosa.

Os meios e recursos de comunicação estão se definindo mais como fins e, isso, evidentemente, sequestra e aliena as pessoas para o universo do isolamento, da virtualidade, do vício e, por conseguinte, da solidão digital. Esta é uma situação real difícil de reconhecer, admitir e mudar.

A comunicação para ser grande e humana não pode prescindir da humana necessidade da presença, da proximidade, do toque, do contato, da palavra, do diálogo, da escuta, da partilha, da reciprocidade física etc. Para isso acontecer precisamos redescobrir e reaprender o caminho na direção do outro, permitindo o encontro das necessidades com seus encantos e mistérios.

Não se trata, simplesmente, da troca de favores mútuos e circunstanciais, mas, antes de tudo, do encontro do humano no humano: eu e você; você e seus familiares; eles e seus vizinhos; nós e nossos amigos; os outros e mais alguns; todos nós e os novos laços.

Que tal se, hoje mesmo, pudéssemos deixar de lado nossos inúmeros e, aparentemente inadiáveis afazeres, para visitar um doente; chegar de surpresa na casa de um velho conhecido; buscar uma pessoa querida na saída do trabalho; levar um bombom para alguém que está desanimado; emprestar os ouvidos para um oportuno desabafo; fazer um favor a quem não ousa lhe pedir nada; acompanhar uma pessoa ao médico; doar sangue; preparar uma refeição e doar para alguém na praça; fazer um mutirão de limpeza no quintal de um idoso; sentar em silêncio ao lado de quem não tem mais palavras; ler um texto bonito a quem nunca pode frequentar uma escola; convidar um pobre para fazer uma refeição em sua casa; oferecer-se para lavar as roupas da senhorinha que está acamada; limpar as feridas e fazer curativo no moribundo isolado…

Num tempo e num mundo que, facilmente nos mantém isolados e, egoisticamente, fechados precisamos nos corrigir, decididamente, com exercícios diários de prática do bem ao próximo porque, é esta a nossa natureza e é assim que nós nos expressamos e nos comunicamos desde a nossa origem. É da nossa natureza ser humano: ser com o outro; ser para o outro; ser pelo outro.

Não guardemos para além do horizonte a nossa saudade; não guardemos para a morte as nossas lágrimas; não guardemos para o silêncio as nossas palavras; não guardemos para o nunca a oportunidade; não guardemos para o amanhã o que devemos fazer hoje.

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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