Homilia de Dom Edilson Nobre por ocasião da Missa dos Santos Óleos

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Amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo!

A motivação para este nosso encontro é a celebração da MISSA DO CRISMA, que acontece uma vez ao ano, geralmente, na manhã da Quinta Feira Santa e, ocasionalmente, por razões pastorais, em algum dia próximo a esta data proposta pela Igreja.  Nesta Missa o Bispo concelebra com o seu presbitério como sinal e expressão de manifestação da comunhão dos presbíteros com o seu Pastor e na ocasião consagra o santo Crisma e benze os óleos do Batismo e Unção dos Enfermos.

Com o Santo Crisma consagrado pelo Bispo, são ungidos os recém-batizados e são marcados com o sinal da cruz os que vão ser confirmados; são ungidas também as mãos dos presbíteros e a cabeça dos Bispos por ocasião da ordenação, bem como as Igrejas e os altares na sua dedicação. Portanto, o Óleo a ser consagrado nesta liturgia de hoje será utilizado para ungir os crismandos que receberão o Sacramento da Crisma neste ano/2019 e as mãos de três jovens que serão ordenados presbíteros para a nossa Diocese, a saber: Jonh Elves, Welson Barbosa e Lael Rubens.   O óleo dos catecúmenos, este será abençoado e disponibilizado para o Batismo daqueles que serão inseridos na vida da comunidade católica. O óleo dos enfermos, uma vez abençoado servirá como possibilidade de alívio e de cura para os féis enfermos que recebem o sacramento da Unção.

Para esta Missa se congregam e nela concelebram os presbíteros, uma vez que, na confecção do Crisma, são testemunhas e cooperadores do seu Bispo, de cujo múnus sagrado participam, na edificação, santificação e condução do povo de Deus. E deste modo se manifesta claramente a unidade do sacerdócio e do sacrifício de Cristo continuado na Igreja. Eu vos peço, amados irmãos e irmãs, encarecidamente: em suas orações diárias rezem por este bispo e por estes sacerdotes e diáconos, para que sejamos perseverantes em nosso bom propósito e possamos, com alegria, exercer bem o ministério que nos foi confiado. Temos aqui também os nossos seminaristas. Rezem por eles para que não se cansem e não desistam no meio do caminho por causa dos percalços ou das provações a que são submetidos. Mais um pedido: não esqueçam de rezar para que Deus suscite no coração dos jovens o encantamento e o desejo de enveredar por este caminho vocacional de serviço à Igreja e ao mundo, movidos pelo seguimento dos passos de Jesus, na busca do ministério presbiteral.

Faço-lhes agora um convite a adentrarmos nos textos bíblicos utilizados nesta liturgia que é própria para a Solenidade que ora celebramos. Ouvimos três leituras: Isaías 61, Apocalipse 1,5-8 e Lucas 4,16-21. Estes textos vão direto à essência da missão confiada por Deus ao seu povo ao longo da história. Interpelam-nos a ser Igreja, profética, serva, discípula e missionária, chamada por Nosso Senhor Jesus Cristo a comunicar e testemunhar o seu Evangelho.

Percebemos que a missão profética de Jesus é anunciada desde os tempos antigos, pelos profetas. Hoje, a missão profética de Jesus é continuada por seus ministros sagrados, aqueles que receberam o sacramento da Ordem, assim como também pelos consagrados e leigos engajados que, cientes da missão recebida no batismo, exercem o seu protagonismo na família, na Igreja e na sociedade.

A missão de Nosso Senhor é clara: Anunciar a boa nova aos pobres; libertar os cativos; fazer os cegos enxergarem; libertar os oprimidos; e, proclamar um ano da graça do Senhor. Como Igreja, é nesta direção que estamos caminhando?  Estamos dando continuidade ao projeto de Jesus? Estamos animando os pobres, libertando os presos, abrindo os olhos dos que não veem, oferecendo oportunidades aos oprimidos? Somos uma Igreja samaritana?

A Campanha da Fraternidade que acontece anualmente no Brasil é uma tentativa de resposta de nossa parte enquanto Igreja a este apelo que Deus nos faz de não esquecermos os mais pobres, os mais  sofridos e marginalizados, os que estão sendo descartados e deixados à margem do caminho. Na Campanha deste ano entramos de cheio nas questões pertinentes às Políticas Públicas e para isto nos inspiramos no lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27).  É a Palavra de Deus que nos impulsiona e nos convida a voltarmo-nos principalmente para os filhos de nossa amada terra que vivem em situação de maior vulnerabilidade.

É gratificante perceber que mesmo sendo uma Igreja Pobre, inserida num contexto de pobreza neste semiárido sertão nordestino, é possível identificar sinais de esperança através de pastorais e grupos de serviços que através de suas ações transformam vidas. Temos a Fazenda da Esperança que se propõe a ajudar as pessoas na superação da dependência química; a Pastoral Carcerária que faz visitas e atendimento aos encarcerados, inclusive com suporte jurídico;  a Pastoral da Criança que se preocupa com o acompanhamento das crianças de zero a seis anos para garantir que estas não sejam desnutridas nem obesas; a Cáritas Diocesana que se destaca  com projetos de qualificação de profissionais, com atenção especial aos jovens que necessitam se inserir no mercado de trabalho; o Centro Educacional São Francisco de Assis (CEFAS) que atua no Incentivo à agricultura familiar, assentamentos, confecção e distribuição de mudas; a Fundação Dom Edilberto que dá suporte às Escolas Agrícolas, a Rádio Cristo Rei, reforço escolar e merenda para crianças; a  Fraternidade São Francisco de Assis realiza um trabalho junto a agricultores e criadores com o incentivo às cooperativas; as Irmãs de Santo Antônio é um grupo de mulheres que acompanham as gestantes e ajuda na confecção dos seus enxovais, além do trabalho de catequese com crianças; existem iniciativas em cada Paróquia que torna-se impossível elencar aqui tudo que é feito. Para a execução destes projetos contamos com parcerias de várias instituições que nos dão suporte seja com recursos humanos, espaços físicos ou até mesmo recursos financeiros (prefeituras, OAB, Ministério Público, Justiça do Trabalho, Rotary, Escolas, Brucke le Pont).  Nesta mesma linha de cooperação entre estas instituições destacamos as diversas mobilizações de conscientização da comunidade para a superação da violência contra a mulher, a criança, o idoso, o problema do trânsito, etc.

Este ano, em consequência da Campanha da Fraternidade mais sinais de esperança estão surgindo: 1) A aquisição da casa que servirá de apoio para o  fortalecimento das Pastorais e Movimentos Sociais. O equipamento e melhoria desta casa pretendemos fazer com os 60% da Coleta Solidária da Campanha da Fraternidade que fica na Diocese. Pode não ser suficiente, mas, certamente, conseguiremos organizar para que tenha condições de funcionamento.  Aproveito para agradecer o empenho dos padres e a sensibilidade e generosidade da parte dos fiéis na adesão a este projeto. Não sabemos ainda qual é o resultado desta Coleta, mas logo que tivermos esta informação estaremos publicando no site da Diocese e nas redes sociais.  2) Já foi articulado e criado o Grupo Esperança Viva (GEV) – Grupo de acompanhamento e reinserção na vida da comunidade daqueles que passam pela Fazenda da Esperança ou que precisam de ajuda para a superação da dependência química. 3) Também já conseguimos reativar a Pastoral da Pessoa Idosa (PPI). As Paróquias que ainda não têm esta pastoral podem procurar a equipe diocesana. 4) Foi pensado a formatado uma espécie de loteamento popular para famílias que ainda não têm casa própria. São mais de 500 lotes destinados a este fim. Os interessados serão beneficiados com o lote e com a possibilidade de receberem orientações técnicas para o cultivo de hortas em seus quintais. Esta ação está sendo desenvolvida pela Fundação Dom Edilberto e CEFAS. Estas iniciativas são sinais de esperança e vão de encontro ao pensamento e orientação do Papa Francisco que na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium nos afirma: “o querígma possui um conteúdo inevitavelmente social: no próprio coração do Evangelho aparecem a vida comunitária e o compromisso com os outros. O conteúdo do primeiro anúncio tem uma repercussão moral imediata, cujo centro é a caridade” (EG 177). Assim, amados irmãos, nunca nos esqueçamos de que a inclusão social dos pobres, o bem comum e a paz social devem sempre pautar a construção do nosso projeto de evangelização, pois, sou convicto que é esta fisionomia de Igreja que garante a sua credibilidade e continuidade na história. Logicamente, sabemos que estas ações não dispensam o nosso testemunho pessoal de fé e de santidade nas relações com o próximo, pois, sem isto, corremos o risco de perder a nossa identidade eclesial para sermos meramente uma ONG a mais na sociedade.

Concluindo, roguemos ao Bom Jesus dos Passos, ele que é Alfa e Ômega, para que nos acompanhe sempre e nos envolva com o seu amor imensurável e o seu olhar compassivo. Que possamos, como São João, dizer: “A Jesus, que nos ama, que por seu sangue nos libertou dos nossos pecados e que fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai, a ele a glória e o poder, em eternidade, Amém!” Ap 1, 5b-6). Nossa Senhora da Vitória! Rogai por nós!

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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