Homilia de Dom Edilson Nobre por ocasião da Missa do Crisma

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            “Sinal de comunhão e vivência da unidade”

Amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Aqui nos reunimos para a celebração da MISSA DO CRISMA, que acontece uma vez ao ano, geralmente, na quinta-feira Santa ou, por razões pastorais, nos dias próximos ao tempo pascal. Nesta Missa o Bispo concelebra com o seu presbitério como sinal e expressão de manifestação da comunhão dos presbíteros com o seu Pastor e na ocasião consagra o santo Crisma e benze os óleos do Batismo e Unção dos Enfermos.

Com o Santo Crisma consagrado pelo Bispo, são ungidos os recém-batizados e são marcados com o sinal da cruz os que vão ser confirmados; são ungidas também as mãos dos presbíteros e a cabeça dos Bispos por ocasião da ordenação, bem como as Igrejas e os altares na sua dedicação. Portanto, o Óleo a ser consagrado nesta liturgia de hoje será utilizado para ungir os jovens que receberão o Sacramento da Crisma neste ano de 2021 e as mãos do Diácono Wellington que será ordenado presbítero no dia 29 de junho, em Conceição do Canindé. O óleo dos Catecúmenos, este será abençoado e disponibilizado para o Batismo daqueles que serão inseridos na vida da comunidade católica. O óleo dos Enfermos, uma vez abençoado servirá como possibilidade de alívio e de cura para os féis enfermos que recebem o sacramento da Unção.

Para esta Missa se congregam e nela concelebram os presbíteros, uma vez que, na confecção do Crisma, são testemunhas e cooperadores do seu Bispo, de cujo múnus sagrado participam, na edificação, santificação e condução do povo de Deus. E deste modo se manifesta claramente a unidade do sacerdócio e do sacrifício de Cristo continuado na Igreja.

Amados irmãos e irmãs, em vossas orações diárias eu vos peço: rezem por mim e por meus presbíteros para que nos mantenhamos sempre unidos pelo vínculo do amor de Cristo e que sejamos perseverantes em nosso bom propósito, no exercendo bem, com espírito de entrega, o nosso ministério. Rezem pelo Santo Padre o Papa Francisco, pelos bispos e padres do mundo inteiro. Esta prática fomenta em cada um de nós o sentimento de pertença e o senso de ser Igreja.

Esta cerimônia é também oportuna para rezarmos por todas as vocações, de modo especial, as vocações sacerdotais, religiosas e missionárias. Rezem pela perseverança dos nossos seminaristas, e para que Deus suscite sempre mais no coração dos jovens vocações para a sua Igreja.

Agora, adentremos nos textos bíblicos utilizados nesta liturgia. Ouvimos três leituras: Isaías 61, Apocalipse 1,5-8 e Lucas 4,16-21. Estes textos vão direto à essência da missão confiada por Deus ao seu povo ao longo da história. Interpelam-nos a ser Igreja, profética, serva, discípula e missionária, chamada por Nosso Senhor Jesus Cristo a comunicar e testemunhar o seu Evangelho.

Percebemos que a missão profética de Jesus é anunciada desde os tempos antigos, pelos profetas. Hoje, a missão profética de Jesus é continuada por seus ministros sagrados, aqueles que receberam o sacramento da Ordem, assim como também pelos consagrados e leigos engajados que, cientes da missão recebida no batismo, exercem o seu protagonismo na família, na Igreja e na sociedade.

A missão de Nosso Senhor é clara: Anunciar a boa nova aos pobres; libertar os cativos; fazer os cegos enxergarem; libertar os oprimidos; e, proclamar um ano da graça do Senhor. Como Igreja, é nesta direção que estamos caminhando?  Estamos dando continuidade ao projeto de Jesus? Estamos animando os pobres, libertando os presos, abrindo os olhos dos que não veem, oferecendo oportunidades aos oprimidos? Neste tempo pandêmico, como estamos atuando em relação às vítimas da covid-19?

Apresento-lhes aqui parte de uma análise de conjuntura eclesial feita por alguns assessores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, considerando a nossa atuação enquanto Igreja neste tempo de pandemia:

O contexto pandêmico afeta todos os níveis da vida do País, solicitando da Igreja respostas de cuidado e solidariedade. O Brasil alcançou 3.200 mortes diárias por covid-19 (23/3/2021) e tornou-se o epicentro da pandemia no mundo. A fragilidade e as perdas de vida têm sido um drama cotidiano, que põe à prova não só os recursos financeiros, técnicos e sanitários disponíveis, mas também a reserva de esperança de muitos! O grito do Crucificado, nesta Quaresma, ecoa no apelo de milhares de pessoas, mesmo quando têm a voz sufocada pela dor.

 O teólogo e escritor Tomás Halik constata que hoje vive-se um “teste global de esperança”[1] onde “a Igreja é como um hospital para curar as feridas e aquecer o coração”[2]. A condição humana revela sua grandeza e pequenez, com gestos heroicos, mas também frieza indiferente. O Ressuscitado se faz presente como Mestre e Amigo (Jo 15,11-16), confirmando a vocação missionária da Igreja “esperando contra toda esperança” (Rm 4,18). A crise se faz aprendizado; e o isolamento social oportuniza novas expressões de encontro, na liturgia, na catequese, nas pastorais, nas capelanias. Assim a presença eclesial se faz palpável em lares, hospitais, presídios, escolas, ruas etc.  Há que ver na crise a graça escondida, a exemplo dos mártires e profetas os quais, segundo Halik[3] em situações-limite “trouxeram uma nova perspectiva e uma nova linguagem para a teologia; o mesmo deve acontecer com este teste global de esperança”.

Roguemos a Nossa Senhora da Vitória para que nos acompanhe, nos proteja e nos envolva com o seu manto e seu amor maternal.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

 

 

[1] HALIK, Tomás. Fé e espiritualidade. In: INCERTI, F.; CÂNDIDO, D.B. (orgs). Fragmentos de uma pandemia. Curitiba: PUCPRESS, 2020, p. 66.

[2] FRANCISCO, Papa. Entrevista concedida a Antonio Spadaro (19.08.2013). Disponível em: <http://www.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2013/september/documents/papa-francesco_20130921_intervista-spadaro.html>. Acesso em 02 de março de 2021.

[3] HALIK, Tomás. Ibidem, p. 66.

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