Homilia de Dom Edilson na festa de Nossa Senhora da Vitória

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Amados irmãos e irmãs!

Alegremo-nos todos no Senhor, contemplando as maravilhas que ele realizou em Maria e continua realizando em favor de todo o povo. Escolhida para ser a Mãe de Deus, Maria não conheceu o pecado nem a corrupção da morte. Nela tudo é vida, porque nela foi gerada a Vida, que é luz do mundo. Nela não há pecado e as trevas da morte não dominam a Luz, que é a vida em Maria; por isso hoje celebramos com ela a Vitória do seu Filho sobre a morte. “Nossa Senhora, Mãe da Vitória e Mãe da Igreja do Piauí… Aqui trazemos os nossos rogos..” No mesmo dia em que celebramos o Dogma da Assunção de Nossa Senhora ao céu, concomitantemente a celebramos invocando-a com o patrocínio de Nossa Senhora da Vitória.

Certamente atribuímos muitas vitórias e conquistas realizadas na vida como resultado da mediação da Mãe de Deus que intercede ao seu Filho por cada um de nós. Lembremos, quais foram estas vitórias? Que vitórias conseguimos na vida, atribuídas à mediação da Mãe de Deus? Além do mais ela é também a Mãe da Vitória porque Aquele que ela conduziu em seu ventre, carregou em seus braços e o acompanhou até a cruz no calvário foi vitorioso sobre a morte, como assim cantamos:

A morte já não mata mais…

Perdeu seu aguilhão fatal na luta que com a vida travou.

Venceu o príncipe da paz

Que, em seu combate triunfal a morte derrotou!”

Que vitória? Ou que vitórias? Nós Bispos do Nordeste estivemos reunidos em Fortaleza entre os dias 07 a 10 de agosto do corrente ano para celebrarmos a comunhão que nos une, fazer memória dos bons testemunhos que nos impulsionam para a missão e contemplar com lucidez e discernimento o mosaico diverso e complexo de nossa realidade para buscar caminhos comuns para a ação evangelizadora em nossas Igrejas Particulares, frente aos desafios do tempo presente. Na ocasião, constatamos que, durante muito tempo, a imagem da Região Nordeste foi estereotipada pelo drama da miséria causada pelas longas estiagens. E que no final do século XX e início do século XXI, contudo, em razão do momento positivo vivido pelo país, o povo nordestino foi favorecido por uma significativa melhoria do quadro econômico e social, visível sobretudo:

  • no crescimento do Nordeste acima da média nacional e das outras regiões do país;
  • na atenuação das desigualdades regionais;
  • na redução da migração de nordestinos para o Sudeste do país;
  • no investimento e interiorização do ensino superior;
  • no expressivo crescimento das cidades de médio porte;
  • nas mudanças na matriz energética, com a introdução da energia eólica e solar, mesmo que ainda carregadas de ambiguidades;
  • no projeto de integração das bacias fluviais, conhecido como transposição de águas do Rio São Francisco.

São vitórias que merecem ser reconhecidas, pois, isto eleva a autoestima do nosso povo. No entanto, por outro lado, temos consciência de algumas situações que nos inquietam e nos interpelam:

  • o Nordeste, que atualmente possui 28% da população nacional, participa com apenas 15% da produção econômica, o que ainda revela um notável desequilíbrio;
  • a grande crise econômica com suas consequências;
  • a falência das grandes culturas agrícolas tradicionais;
  • o crescimento da violência como consequência da interiorização do narcotráfico, cujas vítimas são sobretudo os jovens;
  • os altos índices de violência contra a mulher;
  • a mutilação e mortandade de jovens por acidentes de moto;

 

 

  • o crescente envelhecimento da população e a precariedade da assistência sanitária;
  • o deficitário sistema de saneamento, sobretudo nas grandes cidades;
  • o problema do aumento crescente do desemprego;
  • os impactos dos grandes projetos de mineração, energia e agronegócio sobre o meio ambiente e as populações tradicionais;
  • a perpetuação do latifúndio e implantação de novas monoculturas;
  • o galopante processo de desertificação em regiões do semiárido.

São desafios que pedem de nós capacidade de articulação e fortalecimento das instituições da sociedade organizada para que as tensões sejam superadas. No documento, resultado deste nosso encontro ocorrido em Fortaleza, que o intitulamos de Documento de Fortaleza, reconhecemos que “estas realidades nos fazem recordar a atitude pastoral de Jesus quando, no deserto, deparou-se com uma multidão faminta e cansada, como ovelhas sem pastor. Ele não a mandou embora, mas provocou Filipe a buscar alternativas novas e criativas. Nosso povo nordestino também tem fome de pão e de sentido para sua existência, mas é um povo altivo, audaz e fecundo na criatividade. Inspira-se na heroica fidelidade dos nossos Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu; alimenta-se do testemunho de caridade de Padre Ibiapina e de Irmã Dulce dos Pobres; sente-se animado pela esperança de Antônio Conselheiro; é fortalecido pela fé operante de Pe. Cícero; e é impelido pela infatigável profecia de Dom Hélder Câmara e pela audácia missionaria de Fr. Damião de Bozzano. A nossa Igreja caminha construindo comunhão, congregando na unidade todas as suas forças vivas, colocando-as a serviço da evangelização. É uma Igreja que ora muito e trabalha muito. Crê e, por isso, fala. É consciente de que, “quando os problemas se tornam absurdos, os desafios se fazem apaixonantes” (Dom Hélder). Como Bispos do Nordeste, queremos dispor nossas melhores energias para algumas ações prioritárias. Convocamos igualmente os padres, diáconos, consagrados e consagradas, cristãos leigos e leigas a fazerem o mesmo”.

Entregamos nas mãos de Nossa Senhora da Vitória estes bons propósitos e pedimos que, ao longo do percurso, sejam vitoriosos sempre aqueles, homens e mulheres, que carregam consigo a reta intenção e a inclinação para o bem comum, para a justiça e a paz. Esperamos poder cantar a vitória como cantou Maria no Evangelho que ouvimos hoje: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva”. Nossa Senhora da Vitória, rogai por nós!

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo de Oeiras

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