Fui eu que escolhi vocês

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Escolher, segundo definição do dicionário, é decidir entre duas ou mais coisas; é optar por uma coisa e não por outra. Mesmo com uma definição tão clara e objetiva, o termo escolher é bastante controvertido porque, geralmente, o associamos a privilégio, vantagem, exclusividade, exceção…

Biblicamente, o termo escolher tem a ver com eleição e diz respeito a uma marca, um sinal, uma identificação de amor do próprio Deus com o objeto de sua escolha (pessoa ou povo). Não é um privilégio; não é uma vantagem; não é uma exclusividade e não é uma exceção. Pelo contrário é um laço de amor.

Fazendo um comentário na Revista Pastoral, a filósofa e teóloga Aíla Luzia Pinheiro Andrade, assim se expressa:“O povo de Israel tinha consciência de ser povo escolhido por Deus. Mas também foi afirmado várias vezes pelos profetas e pelos salmistas que as nações eram convidadas a entrar na mesma dinâmica de Israel, ou seja, adorar o Deus único, vivo e verdadeiro. Sendo assim, qual é a identidade de Israel, já que todos os povos são chamados a se congregar como povo de Deus? Basicamente, a vocação e o papel de Israel em meio às demais nações é ser instrumento de Deus para que todos possam conhecer o Deus da aliança e com ele fazer comunhão. Essa é a mesma vocação da comunidade dos discípulos de Jesus ao longo da história, até que ele volte” (Revista Pastoral maio-junho 2015).

No Evangelho de João encontramos a seguinte expressão na boca de Jesus: “Assim como meu Pai me amou, eu também amei vocês: permaneçam no meu amor. Não foram vocês que me escolheram, mas fui eu que escolhi vocês. Eu os destinei para ir e dar fruto, e para que o fruto de vocês permaneça” (Jo 15,9-16a).

A expressão de Jesus tem três grandes mensagens que se intercomunicam. A mensagem central é: “Não foram vocês que me escolheram, mas fui eu que escolhi vocês”. Esta escolha-eleição é feita em nome de um amor profundo cheio de comunicação e transbordamento, expresso na mensagem inicial do texto: “Assim como meu Pai me amou, eu também amei vocês: permaneçam no meu amor”. Finalmente, a escolha-eleição tem uma missão orientada pela dinâmica do amor pleno na semente e no fruto: “Eu os destinei para ir e dar fruto, e para que o fruto de vocês permaneça”

Que escolha-eleição é essa tão despretensiosa?

Trata-se da escolha-eleição para amar como o Pai, num amor que se antecipa.

“Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus. E todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Nisto se tornou visível o amor de Deus entre nós: Deus enviou o seu Filho único a este mundo, para dar-nos a vida por meio dele” (1 João 4,7-10).

Que amor é esse cheio de comunicação e transbordamento?

Trata-se do amor que não faz acepção de pessoas e que, Pedro foi testemunha.

“Quando Pedro estava para entrar, Cornélio saiu-lhe ao encontro, caiu a seus pés e se ajoelhou diante dele. Mas Pedro o levantou, dizendo: ‘Levante-se. Eu também sou apenas um homem.’ Pedro então começou a falar: ‘De fato, estou compreendendo que Deus não faz diferença entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, seja qual for a nação a que pertença. Pedro ainda estava falando, quando o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a Palavra. Então Pedro falou: ‘Será que podemos negar a água do batismo a estas pessoas que receberam o Espírito Santo, da mesma forma que nós recebemos?’ Então Pedro mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Depois pediram que Pedro ficasse alguns dias com eles” (At 10,25-26.34-35.44-48).

Que fruto é esse que permanece?

Trata-se, na verdade, não de um, mas, de dois, os frutos de quem permanece no amor. O primeiro é o fruto da alegria: “Eu disse isso a vocês para que minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa” (Jo 15,11). O Segundo é o fruto da amizade: “Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos. Vocês são meus amigos, se fizerem o que eu estou mandando. Eu já não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos, porque eu comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15,13-15).

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

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