Feliz Ano Novo temporão!

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Depois das festas, do alvoroço do reveillon, dos presentes, dos flashes, das músicas, das danças, do “fervo”, das mesas cheias de comida e de bebida, dos visitantes de longe, dos parentes, dos amigos… Depois de toda a agitação do início do ano você, ainda, é capaz de dizer feliz ano novo a quem quer que seja, indistintamente, como você faz no dia da virada?

Parece muito estranho alguém dizer feliz ano novo depois do começo do ano. Não faltam risos de canto de boca – esse ai deve estar louco, o ano novo já passou!  Não falta uma piadinha; não falta um deboche; não falta uma ou outra observação sobre o tal anacronismo daquele que apresenta um desejo em desacordo com os dias e com o tempo.

Nossos desejos estão encaixotados por uma tradição cultural ou pretensamente religiosa. Formamos rituais com roupas e objetos. Aplicamos simpatias e “abracadabras”. Papagueamos palavras. Simulamos contentamento. Disfarçamos sorrisos. Criamos climas superficiais de alegria e festa. Repetimos, inconscientemente, o que ouvimos os outros falarem. Nossas palavras ficam sem peso, sem significado, sem medida. Falamos, aliás, matraqueamos os discursos de início de ano no exato momento da comoção geral. Chegamos a tempo de não decepcionar aqueles que esperam o nosso arsenal de boas festas, a parafernália da comemoração (não pode faltar o champagne para, em seguida, encher a rua de cacos). Somos estritamente relógio; somos mecanicamente desejo. Somos irresistivelmente exterioridade.

De verdade, o que está fora do tempo? O que nos tem colocado fora do tempo? O que nos tem feito ficar fora do tempo (anacrônicos), senão o fato de que oferecemos aos outros aquilo que não nos pertence?  Os votos de felicidade que damos não são nossos, pertencem a outras bocas, a outros corações, a outras cabeças. Vivemos das mensagens alheias, repassando-as ano-a-ano, como se fossem nossas, sem reconhecer os seus verdadeiros créditos, sem dizer de onde vieram, sem pagar os seus direitos autorais…

Hoje, olhando objetivamente para a realidade que nos cerca, que cerca a cada um, individualmente, com desafios, incertezas, medos, inseguranças, inflação, desemprego, violência, mortes, doenças, carestia, traições, infidelidades, inimizades, tentações, armadilhas, seduções, ganância, agiotagem, usura, corrupção, impostos, salário baixo, mentiras, inveja… você é capaz de olhar para o outro e dizer-lhe, naturalmente, sem estar contagiado por um clima, pelas pessoas ou por uma data, tenha um feliz ano novo?

Infeliz de quem acha que feliz ano novo é apenas para se dizer e querer no dia primeiro de janeiro. Digno de pena é aquele que entende e pratica o feliz ano simplesmente com comida e bebida. Coitado daquele que limita o seu tudo a uma data. Ai de quem transforma os votos de felicidade num lenitivo, numa droga, numa fantasia, numa ilusão.

O verdadeiro feliz ano novo é o temporão porque revela a verdade e a realidade de quem deseja e para quem é desejado: sem contágio, sem simulação, sem falsidade, sem cópia, sem fingimento, sem superficialidade… Feliz ano novo deve ser desejado, querido, praticado e renovado todo dia.

Por tudo aquilo que eu creio e por tudo o que eu espero, não posso deixar de continuar dizendo a cada pessoa FELIZ E PRÓSPERO ANO NOVO!

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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