FAZER O BEM NÃO É TROCAR FAVORES

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O nosso coração se enternece ao fazer o bem e cria um corolário de iniciativas para favorecer a sua prática, em meio a situações mais ou menos complexas de necessidades e necessitados. Fazer o bem move, aproxima, encurta distâncias, motiva, movimenta, dinamiza, disponibiliza…

Na corrente do bem todos se comovem e, até os inimigos se aproximam e se inspiram em práticas solidárias.

A prática do bem cria ondas gigantescas de doações e doadores, de assistência e socorro.

Fazer o bem não é uma moda passageira, não um recurso imediatista de solução de problemas, nem tão pouco, é uma garantia de retorno a futuro na terra ou no céu.

Dito bem claramente, embora seja muito bom e atraente responder com o bem a quem precisa de nós e, por vezes, a quem nos tenha assistido, fazer o bem não é um trocar favores.

Fazer o bem é, antes de tudo, a estruturação da vida no amor e na misericórdia. Porque, fora disso, fazer o bem não tem sentido, não tem valor, não tem importância e não tem sustentabilidade.

Nas palavras de São Paulo, escrevendo aos Coríntios, as razões do amor fazem enxergar o universo humano como princípio do próprio amor para nele estar completo: “O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará” (1Cor 13,4-8).

Paralelamente a essa afirmação da Carta de São Paulo aos Coríntios, temos um relato surpreendente do Primeiro Livro de Samuel que, dá à misericórdia, o lastro para fazer o bem sem pena e nem constrangimento…

Trata- se do relato de 1 Samuel 26,2.7-9.12-13.22-23 sobre a decisão do Jovem Davi de não respaldar suas ações por mágoas e ressentimentos, mas, de validá-las segundo as razões da misericórdia.

“Naqueles dias, Saul pôs-se em marcha e desceu ao deserto de Zif. Vinha acompanhado de três mil homens, escolhidos de Israel, para procurar Davi no deserto de Zif. Davi e Abisai dirigiram-se de noite até o acampamento e encontraram Saul deitado e dormindo no meio das barricadas, com a sua lança à cabeceira, fincada no chão. Abner e seus soldados dormiam ao redor dele. Abisai disse a Davi: ‘Deus entregou hoje em tuas mãos o teu inimigo. Vou cravá-lo em terra com uma lançada, e não será preciso repetir o golpe’. Mas Davi respondeu: ‘Não o mates! Pois quem poderia estender a mão contra o ungido do Senhor e ficar impune?’ Então Davi apanhou a lança e a bilha de água que estavam junto da cabeceira de Saul, e foram-se embora. Ninguém os viu, ninguém se deu conta de nada, ninguém despertou, pois todos dormiam um profundo sono que o Senhor lhes tinha enviado. Davi atravessou para o outro lado, parou no alto do monte, ao longe, deixando um grande espaço entre eles. E Davi disse: ‘Aqui está a lança do rei. Venha cá um dos teus servos buscá-la! O Senhor retribuirá a cada um conforme a sua justiça e a sua fidelidade. Pois ele te havia entregue hoje em meu poder, mas eu não quis estender a minha mão contra o ungido do Senhor’.”

A esse relato se ajunta as palavras de São Paulo aos Romanos: “Que o amor de vocês seja sem hipocrisia: detestem o mal e apeguem-se ao bem; no amor fraterno, sejam carinhosos uns com os outros, rivalizando na mútua estima. (…). Não se deixe vencer pelo mal, mas vença o mal com o bem” (Rm 12,9-21).

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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