EM TEMPO DE QUARESMA… JEJUM

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Na vida, precisamos descobrir a pedagogia do sofrimento; isto é, aprender com o
sofrimento. Em última análise precisamos buscar não apenas compreender, mas
conviver com o sofrimento de modo harmônico e autêntico; sem neuras.
A experiência da fé ensina que, para aprender com o sofrimento é preciso se
aproximar dele. Não como quem tem prazer de sofrer ou ver os outros sofrerem. Tal
atitude seria um desvio de conduta e, como tal, uma doença que mereceria tratamento.
Aproximar-se do sofrimento é abrir-se para a sua interpelação última: a dor faz
parte da condição humana; expõe fraquezas e força, limitações e poderes.
O Jejum é o melhor modo de aproximar-nos do sofrimento e, portanto, auto-
controle, solidariedade, humanização, desapego, conhecimento de si…
Há os que são obrigados a um constante jejum-privação, resultado da miserável
condição a que são submetidos: não comem porque não tem; eles somam os incontáveis “sem” alguma coisa nesta vida. Por causa deles devemos obrigar-nos ao jejum-educação, que pode fazer-nos enxergar a vida “do lado de lá”, do “lugar” de quem sofre; com os “olhos deles”. Deixar de comer alguma coisa ou alguma refeição é para sentir em nós mesmos o sofrimento dos outros.
O jejum, na experiência de fé, é o melhor modo de adquirir a disciplina e formar
o caráter, haja vista que, por comida se rouba, se mata, se morre… principalmente os
mais abastados. Por isso, antes que seja esvaziado no seu valor e importância, é preciso buscar os elementos bíblicos que o confirmam e o sustentam:
Isaías 58,2-9. “Dia após dia, eles parecem me procurar, mostram desejo de
conhecer os meus caminhos; parecem povo que pratica a justiça e que nunca se
esquece do direito do seu Deus. Eles vêm me pedir as regras da justiça, eles querem
estar perto de Deus. E dizem: ‘Por que jejuamos, e tu não viste? Por que nos
humilhamos totalmente, e nem tomaste conhecimento?’Acontece que, mesmo quando estão jejuando, vocês só cuidam dos próprios interesses e continuam explorando quem trabalha para vocês. Vejam! Vocês jejuam entre rixas e discussões, dando socos sem piedade. Não é jejuando dessa forma que farão chegar lá em cima a voz de vocês.
Vejam! O jejum que eu aprecio, o dia em que uma pessoa procura se humilhar, não
deve ser desta maneira: curvar a cabeça como se fosse uma vara, deitar de luto na
cinza… É isso que vocês chamam de jejum, um dia para agradar a Javé? O jejum que
eu quero é este: acabar com as prisões injustas, desfazer as correntes do jugo, pôr em
liberdade os oprimidos e despedaçar qualquer jugo; repartir a comida com quem passa fome, hospedar em sua casa os pobres sem abrigo, vestir aquele que se encontra nu, e não se fechar à sua própria gente. Se você fizer isso, a sua luz brilhará como a aurora, suas feridas vão sarar rapidamente, a justiça que você pratica irá à sua frente e a glória de Javé virá acompanhando você. Então você clamará, e Javé responderá; você chamará por socorro, e Javé responderá: ‘Estou aqui!’”
Mt 6,16-18. “Quando vocês jejuarem, não fiquem de rosto triste, como os
hipócritas. Eles desfiguram o rosto para que os homens vejam que estão jejuando. Eu garanto a vocês: eles já receberam a recompensa. Quando você jejuar, perfume a
cabeça e lave o rosto, para que os homens não vejam que você está jejuando, mas
somente o Pai, que está escondido; e seu Pai que vê o escondido, recompensará você”.
Na Igreja, a prática do Jejum é realizada tanto nos dias de preceito (quarta-feira
de cinzas e sexta-feira santa), como nos dias escolhidos pela própria pessoa.

Como já meditamos até agora, não podemos deixar que algo tão bom chegue até
nós somente para cumprirmos a lei, mas para cumprirmos uma exigência de fé.
Vale a pena reconsiderar o modo como fazemos todas as coisas na fé. O jejum é uma delas.

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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