Domingo de Ramos:” Vence quem dá a vida pelos outros”

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Domingo de Ramos

Vence quem dá a vida pelos outros

Hoje celebramos o triunfo de Deus. Celebramos a Sua entrada triunfal em Jerusalém. Para entendermos qual é a estrada do triúnfo de Deus, meditemos o senso dos acontecimentos deste dia. Observemos, antes de tudo, como se comporta a multidão. Essa gente grita, canta, reza, mas é sempre ambígua. Hoje aclama, amanhã blasfema! Hoje exalta, amanhã condena! Muda facilmente o próprio comportamento.

E nós? E a nossa fé? E a nossa resposta a Jesus? Não basta uma oração, não basta uma Missa, não basta uma obra de caridade para ser cristão. Jesus disse: “quem perseverar até o fim será salvo” (Mc 13,13). E disse ainda: “Quem põe a mão no arado e volta atrás, não é digno de mim” (Lc 9,62). O verdadeiro cristão é aquele que caminha seguindo os passos Jesus de Cristo com fidelidade e perseverança!

Mas qual é a estrada de Cristo? Observemos o seu comportamento. Jesus expulsa satanás, quando este lhe propõe a estrada do poder. Jesus foge quando os homens, depois do milagre dos pães, o querem proclamar rei. Jesus corrige Pedro, quando ele tenta desviá-lo da estrada de Jerusalém; e vai decididamente em direção a Jerusalém, em direção à Cruz: porque esta é a estrada de Deus, a estrada do seu triúnfo!

Na liturgia de hoje nós olhamos Jesus que entra em Jerusalém. Agora está próxima a sua hora. Ele se apresenta humilde, bom, pacífico, aparentemente frágil. Assim Jesus nos ensina que a grande força do mundo é a bondade. O verdadeiro forte é o homem bom. O verdadeiro forte é aquele que venceu a violência dentro de si. O vencedor é aquele que dá a vida para os outros e não o que tira a vida dos outros.

Na paixão de Jesus identificamos outros personagens que se evidenciam no caminho do Calvário. Tem Pilatos: um indeciso, porque vazio. Quem é vazio de ideais, facilmente pode condenar… E condenou o Inocente (Jesus). Tem Pedro: um indeciso, porque fraco. A fraqueza é perigosa. É terreno para a traição. E hoje, mais que em outros tempos, a fraqueza parece evidente. Tem Judas: um propenso ao mal, porque o orgulho é o câncer da alma, o orgulho é a raiz de cada violência. O orgulho é um mal um tanto quanto difuso. O orgulho é o início do inferno. Tem Maria: uma mulher propensa ao bem, porque é humilde de coração. No cenário da Paixão de Cristo, Maria revela toda a sua grandeza. Faz-nos recordar as palavras proféticas de Izabel: “Bendita és tu, porque acreditaste!” (Lc 1,45). Tem os sumos sacerdotes: gente que conhecia a escritura bíblica, mas não conhecia o espírito do seu conteúdo.

Com qual destes personagens nos identificamos? A paixão de Jesus continua: quem somos nós hoje na paixão do Senhor?

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

 

 

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