Domingo de Pentecostes: “Somente o Espírito Santo de Deus pode convencer o espírito do homem”

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DOMINGO DE PENTECOSTES
“Somente o Espírito Santo de Deus pode convencer o espírito do homem”
A Igreja no mundo inteiro celebra hoje a Festa do Divino, o dia de Pentecostes. Na Igreja Mãe de nossa Diocese de Oeiras, a Catedral de Nossa Senhora da Vitória, estamos vivendo esta efervescência com toda intensidade desde o dia 18 de maio, quando nos reunimos em rua pública diante do Santuário do Divino, nos associando à família Gomes de Freitas que hoje conclui a sua missão de cuidar do Divino. Desde já, externamos a nossa gratidão pelo zelo e pelo testemunho de fé manifestado ao longo do ano. Esperamos que gozem dos efeitos gerados pelos dons do Espírito Santo.
“Somente o Espírito Santo de Deus pode convencer o espírito do homem”. Este foi o tema que serviu de inspiração para os padres que aqui vieram para rezar conosco. Muitas palavras assertivas foram semeadas em nossos corações. Espero que todos nós estejamos em estado de graça e motivados para seguirmos firmes com o nosso testemunho de fé e cada vez mais decididos a testemunhar a nossa identidade católica em espírito de comunhão, participação e missão.
Aproveitemos, então, a oportunidade para refletirmos sobre a liturgia que ora estamos celebrando. Imaginemos os Apóstolos naquele dia da Ascenção de Jesus. Antes que Ele desaparecesse dos seus olhos, disse-lhes: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. Portanto, Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo…” (Mt 28,18-19). Palavras decisivas e comando preciso. Mas aqueles pobres homens devem ter pensado: “Aonde vamos? Quem acreditará em nossas palavras?
Houve, certamente, um fervilhar de ideias e pensamentos. Eles devem ter recordado as palavras de Jesus: “Vede, eu vos envio como ovelhas em meio a lobos: Sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. Cuidado, pois vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas” (Mt 10,16s). Mas também alguns dos apóstolos deverão ter recordado: “Eu pedirei ao Pai e ele vos dará o Paráclito, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não vê, nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e está em vós” (Jo 14,16s). E ainda: “Eis que eu estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mc 28,20). Pensado nestas palavras, os Apóstolos se fecharam no cenáculo à espera da realização da promessa.
Tiveram medo. Medo, porque já tinham experimentado os próprios limites. De fato, recordavam de ter fugido do Horto das Oliveiras e de ter deixado Jesus só. Medo, porque recordavam que um deles (Judas) o havia traído. E o primeiro deles, Pedro, havia renegado o Mestre por três vezes. Tinham medo, por isso oravam no Cenáculo. Para encorajá-los, Maria, a Mãe de Nosso Senhor, aproximou-se e juntou-se a eles para rezar no Cenáculo. A presença materna de Maria conforta o coração dos filhos.
Finalmente, aqueles homens tornaram-se humildes, começaram a crer verdadeiramente que sem Jesus e sem o seu Espírito, não podiam fazer nada. Vem o Pentecostes! Improvisamente receberam o dom do Espírito de Jesus e ficaram plenos de consolação, tornaram-se corajosos, sentiram-se destemidos para o anúncio da Verdade.
Pedro, que um dia tremeu diante da pergunta de uma serva, agora fala publicamente na praça em Jerusalém e grita a sua fé: “Jesus, que vós o crucificaste, ressuscitou! ” (At 2,23). Inicia a época do martírio, a época do “sangue” doado pela fé.
Mas, Pentecostes é um fato simplesmente do passado ou é ainda se realiza no presente? Um raciocínio simples: se a Igreja de Jesus deve levar a Boa Nova a todos os povos e em todos os tempos, evidentemente a promessa de Jesus permanece válida em todas as épocas.
Disse Jesus a seus Apóstolos: “Como o Pai me enviou, assim eu vos envio” (Jo 20,21). As palavras de Jesus valem todos os dias, em qualquer situação em que vivermos. Somente o Espírito pode dar-nos a luz para entendermos a entrega de Cristo e pode fazer-nos sentir a alegria de viver para Ele. Por isso Jesus segue com estas palavras: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”. (Jo 20,22-23). Com estas palavras Jesus não quer dizer que a sua Igreja tem o poder quase caprichoso de perdoar quando e como quer. Também a Igreja está sob o juízo da Palavra e ela (a Igreja) sabe bem disso. Ele recorda, na verdade que a sua Igreja, contemporaneamente, é feita de pecadores em contínua conversão, e, movida pelo Espirito Santo, ela se santifica no dia-a-dia da história que vai sendo construída por todos nós.
Concluo rezando e cantando convosco o Veni Creator:
Ó vinde Espírito Criador, as nossas almas visitai e enchei os nossos corações com Vossos dons celestiais.
Vós sois chamado o Intercessor, do Deus excelso o dom sem par, a fonte viva, o fogo, o amor, a unção divina e salutar.
Sois doador dos sete dons, e sois poder na mão do Pai, por Ele prometido a nós, por nós Seus feitos proclamai.
A nossa mente iluminai, os corações enchei de amor, nossa fraqueza encorajai, qual força eterna e protetor.
Nosso inimigo repeli, e concedei-nos Vossa paz, se pela graça nos guiais, o mal deixamos para trás.
Ao Pai e ao Filho Salvador, por Vós possamos conhecer, que procedeis do Seu amor, fazei-nos sempre firmes crer.

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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