Domingo de Pentecostes: “A unidade da Igreja fala todas as línguas “.

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Domingo de Pentecostes

A unidade da Igreja fala todas as línguas

Antes de deixar este mundo, Jesus previne os seus discípulos do risco do cansaço, do medo e da rotina. São situações que podem comprometer a fé e a missão da Igreja. Mas Ele diz: “Eu mandarei o Espírito Santo. Ele vos dará força, vos dará coragem e vos dará o entusiasmo!”. Hoje nós recordamos o cumprimento desta promessa. Hoje é a festa da fidelidade de Cristo. É a Festa de Pentecostes!

Ouvimos na primeira leitura (Atos 2,1-11) a narrativa do episódio de Pentecostes. Os discípulos reunidos, um barulho vindo do céu, apareceram línguas como de fogo que pousaram sobre eles e ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas. Evidentemente, não dar para compreender de imediato o ocorrido e, por isso, “todos ficaram confusos”. O fato é que “cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua”. O fato é que os discípulos começaram a falar em todas as línguas. Aprouve a Deus, naquele momento, significar a presença do Espírito Santo, fazendo com que todo aquele que o tivesse recebido, falasse em todas as línguas. Devemos compreender, irmãos e irmãs, que se trata do mesmo Espírito Santo pelo qual o amor de Deus foi derramado em nossos corações.

O amor haveria de reunir na Igreja de Deus todos os povos da terra. E como naquela ocasião um só homem (Pedro), recebendo o Espírito Santo, podia falar em todas as línguas, também agora, uma só Igreja, reunida pelo Espírito Santo, se exprime em todas as línguas. Um autor africano, anônimo do século VI, ilustrava: “Se por acaso alguém nos disser: “Recebeste o Espírito Santo; porque não falas em todas as línguas?” Devemos responder: “Eu falo em todas as línguas porque sou membro do Corpo de Cristo, isto é, da sua Igreja, que se exprime em todas as línguas”. Que outra coisa quis Deus significar pela presença do Espírito Santo, a não ser que sua Igreja haveria de falar em todas as línguas?”.

Pentecostes não é só uma recordação do passado. Nem cessou com a geração dos primeiros cristãos. De fato, a Igreja continua a sua missão até o fim do mundo. Se a Igreja de Cristo tem a missão de levar a Boa Nova a todos os povos e em todos os tempos, evidentemente a promessa de Jesus continua válida em todas as épocas e, evidentemente, a ação de seu Espírito continua agindo da mesma forma. Pentecostes, portanto, não é só uma estação, mas uma condição; não é um episódio, mas uma constante de toda a história da Igreja.

Porém, para que Pentecostes seja possível, é necessária a experiência do Cenáculo; é necessário que nos tornemos um corpo só na caridade; que abramos a alma e invoquemos o dom do Espírito Santo, colocando-nos junto a Maria, o modelo da humildade que crer e espera tudo do Senhor.

Disse Jesus a seus Apóstolos: “Como o Pai me enviou, assim eu vos envio” (Jo 20,21). As palavras de Jesus valem todos os dias, em qualquer uma das situações em que vivermos. Mas quem de nós sente a própria vida com esta lucidez de fé e sente a emoção pelo fato de ser enviado por Cristo? Somente o Espírito pode dar-nos a luz para entendermos a entrega de Cristo e pode fazer-nos sentir a alegria de viver para Ele.

Jesus diz também: “Recebam o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem não lhes perdoardes, não serão perdoados”. (Jo 20,22-23). Jesus não quer dizer que a sua Igreja tenha o poder quase caprichoso de perdoar quando e como quer. Também a Igreja está sob o juízo da Palavra e ela (a Igreja) sabe bem disso. Ele recorda contemporaneamente que a sua Igreja é feita de pecadores em contínua conversão. Não haveria, de fato, dado o poder de perdoar os pecados, se não tivesse a certeza da existência dos pecados dos seus discípulos. Ele quer destacar o fato que não é possível amá-lo, sem amar a Igreja; não é possível crer nele, sem crer também na mediação da Igreja que Ele quiz por livre decisão de amor. Confiemos na mediação da nossa Igreja e busquemos sempre, pelo sacramento do perdão e da misericórdia, a graça santificadora de nossas vidas, enquanto formos neste mundo peregrinos da esperança.

Celebremos este dia como membros do único Corpo de Cristo. E não o celebremos em vão, se realmente somos aquilo que celebramos, isto é, se estamos perfeitamente incorporados nesta Igreja que o Senhor enche do Espírito Santo e faz crescer progressivamente através do mundo inteiro. Esta Igreja Ele reconhece como sua e Ele é por ela reconhecida como seu Senhor. O esposo não abandonou sua esposa; por isso ninguém pode substitui-la por outra.

Para mantermo-nos fiéis à missão, entreguemo-nos a nosso Senhor e peçamos ao Divino Espírito Santo: “Vinde, rico Pai dos pobres, e dos fracos, reparador! Olhai a nossa frágil condição e sede nosso Protetor!

“Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da Terra!

Oremos: Deus que instruístes os corações dos Vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas, segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre de Sua consolação, por Cristo, Senhor Nosso. Amém!”

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

 

 

 

 

 

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