DISCERNIMENTO, UM TESOURO INESTIMÁVEL

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É muito perigoso tratar as coisas tendo como referência uma primeira impressão, um ver de longe, um ouvir falar, um parece ser, um parece com, um eu acho que… Para tirar conclusões é preciso ir além, mais adiante, um pouco mais, mais a fundo.

Ir ao cerne… tirar do cerne, do miolo, do interno, do mais profundo… não permanecer na casca, na crosta, na superfície. Esta é a grande proposição do discernimento: não se dar por convencido pelas aparências… não tomar decisão sem um exame acurado… não tomar partido sem uma análise profunda… não escolher nada sem uma visão além.

Salomão, um ícone da história de Israel, estando diante de Deus, faz-lhe um inusitado pedido e recebe, de Deus, grandes acréscimos:

“Em Gabaon, durante a noite, Javé apareceu em sonhos a Salomão. Deus lhe disse: ‘Peça. O que lhe posso dar?’ Salomão respondeu: ‘Tu demonstraste grande amor para com o teu servo Davi, meu pai, porque, diante de ti, ele caminhou na fidelidade, na justiça e na retidão de coração para contigo. Tu guardaste para com ele esse grande amor e lhe deste um filho que hoje se assenta no trono dele.  Agora, Javé meu Deus, és tu que fazes teu servo reinar no lugar de meu pai Davi. Eu sou bem jovem e não sei como governar. O teu servo se encontra no meio do teu povo que escolheste, povo numeroso que não se pode contar nem calcular, de tão grande que é. Ensina-me a ouvir, para que eu saiba governar o teu povo e discernir entre o bem e o mal. Pois quem poderia governar esse teu povo tão numeroso?’ Agradou ao Senhor que Salomão tivesse pedido essas coisas. Então Deus disse para ele: ‘Porque você pediu isso, e não vida longa para você, nem riquezas, nem a morte de seus inimigos, mas discernimento para ouvir e julgar, eu farei o que você pediu. Darei a você mente sábia e inteligente, como ninguém teve antes de você e ninguém terá depois. Eu lhe darei também o que você não pediu: riqueza e fama, de modo que não haverá nenhum rei que se iguale a você, durante toda a sua vida. E se você andar nos meus caminhos, observando meus estatutos e mandamentos, como fez o seu pai Davi, eu lhe darei vida longa’.”

Ensinando sobre as coisas novas do Reino de Deus, Jesus apresenta três ponderações importantes para aqueles que pertencem a esse Reino:

A decisão pelo Reino (Mt 13,44-46). “O Reino do Céu é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra, e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens, e compra esse campo. O Reino do Céu é também como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens, e compra essa pérola.”

A consumação do Reino (Mt 13,47-50). “O Reino do Céu é ainda como uma rede lançada ao mar. Ela apanha peixes de todo o tipo. Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e escolhem: os peixes bons vão para os cestos, os que não prestam são jogados fora. Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são bons. E lançarão os maus na fornalha de fogo. Aí eles vão chorar e ranger os dentes.”

Um novo sentido para tudo (Mt 13,51-52). “‘Vocês compreenderam tudo isso?’ Eles responderam: ‘Sim.’ Então Jesus acrescentou: ‘E assim, todo doutor da Lei que se torna discípulo do Reino do Céu é como pai de família que tira do seu baú coisas novas e velhas’.”

Comentando esse evangelho, assim se expressa Carlos Alberto Contieri, sj: “Jesus diz que o Reino vale muito. Vale tudo o que se tem. Diante do que vale a pena, cabe à pessoa, descobrir o tesouro, a jóia e decidir por ela, a ponto de renunciar a tudo mais que tem. É uma renúncia ao transitório e que não merece ser supervalorizado. Uma renúncia por preferir o melhor. O homem, então, dá tudo pelo tudo”

O discernimento é um grande tesouro. Quem o tem, consegue muito mais!

Por: Pe Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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