Deus é amor, ele chama à misericórdia

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O amor define as relações entre as pessoas. Mas, há mil maneiras de se relacionar. Distância ou proximidade, por exemplo, são frutos da profundidade ou superficialidade nas relações. É claro que nunca vamos encontrar um amor com graus de profundidade ou superficialidade; não existe amor superficial e amor profundo. O amor é, sempre, profundo. Se não é profundo, então, não é amor.

A experiência da fé nos fala de um Deus próximo.

Deus é, sempre, próximo porque, Ele é amor! E o amor não é, simplesmente, uma qualidade do ser de Deus mas, seu próprio ser; sua natureza. Portanto, É próprio da natureza de Deus e, por conseguinte, de quem ama, a proximidade e todas as disposições de amor como a misericórdia, a compaixão, a afabilidade, a bondade…

O registro bíblico da criação coloca o homem e a mulher como a obra-prima de Deus. Nem os melhores e nem os últimos, mas, a plenitude; no sexto dia; capazes de Deus. Não foram, apenas, criados, mas, foram chamados: “Então Deus disse: ‘Façamos o homem à nossa imagem e semelhança…’ E Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou; e os criou homem e mulher. E Deus os abençoou e lhes disse: ‘Sejam fecundos, multipliquem-se, encham e submetam a terra; dominem os peixes do mar, as aves do céu e todos os seres vivos que rastejam sobre a terra’” (Gn 1,26-28).

O homem e a mulher são criados a imagem e semelhança de Deus e abençoados com o dom da multiplicação para encher o mundo com o ser de Deus e, cuidar (dominar; ser senhor e senhora, como Deus) de toda a obra criada, com todas as disposições do amor.

A história do pecado, narrada pelo capítulo 3 do gênesis, mais do que a situação moral do homem e da mulher, em queda, pela desobediência, quer assinalar o distanciamento do seu ser original (imagem e semelhança de Deus) e de sua missão (abençoados com o dom da multiplicação).

O fato é que depois da queda “eles ouviram Javé Deus passeando no jardim à brisa do dia. Então o homem e a mulher se esconderam da presença de Javé Deus, entre as árvores do jardim” (Gn 3,8). Então: “Javé Deus chamou o homem: ‘Onde está você?’ O homem respondeu: ‘Ouvi teus passos no jardim: tive medo, porque estou nu, e me escondi’.” (Gn 3,9-10).

O amor de Deus ‘veste’, novamente, o homem e a mulher com a sua misericórdia. E, com a pedagogia da misericórdia, lhe dá o poder de pisar sobre ‘a cabeça da serpente’ (ou seja dominar o pecado e o mal) e, abre-lhe a consciência sobre a verdade de sua condição, no mundo: enfrentar através do trabalho, lutas, dores e sofrimentos os cuidados com a vida.

Desde o começo da criação, o amor de Deus não cessa de chamar e de interpelar o homem e a mulher a viverem e agirem com misericórdia. Porque esta é a disposição de proximidade que reergue o homem e a mulher de toda a queda.

O Novo Testamento nos permite vislumbrar que a Obra criadora do Pai, na dinâmica do amor misericordioso, é continuada pela obra recriadora do Filho. Como o pecado persiste em ‘derrubar’ o homem e a mulher criando distâncias, Jesus é encarnação da misericórdia do Pai, ensinando o caminho de volta.

A missão de Jesus começa com esta afirmação, provocação e apelo: “O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Notícia” (Mc 1,14-15). No sermão da montanha assevera: “Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia” (Mt 5,7). Ele é o pastor que cura as feridas da ovelha perdida (Lc 15,6). Mostra que a gratuidade das relações é fruto da misericórdia – sejam misericordiosos como o pai do céu é misericordioso (Lc 6,27-36). Na casa de Mateus ensina porque quer misericórdia e, não o sacrifício (Mt 9,9-13). Ensina que a misericórdia é a medida do amor e da prática religiosa – o bom samaritano (Lc 10,25-37). Ressuscitado, Jesus envia os apóstolos, em missão de vida, soprando sobre eles e dizendo: “Recebam o Espírito Santo. Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados”  (Jo 20,22-23).

Ora, Deus é amor. Ele chama à misericórdia!

Por:  Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

 

 

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