DA INSATISFAÇÃO À REALIZAÇÃO DA PÁSCOA

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Parece engraçado mas, apesar de tantos recursos em nossas mãos e ao nosso alcance, nós nunca estamos satisfeitos com as coisas.

É verdade que existe aquela insatisfação gerada pela vontade de querer superar-se, vencer, conquistar… Não é desta insatisfação que me refiro. Aliás, desta insatisfação é que precisamos e que as pessoas estão carentes.

A insatisfação da qual me refiro é aquela, cuja origem está na base da murmuração por tudo, da reclamação sem fim, dos complexos múltiplos, do derrotismo, do fatalismo, do medo.

Para pessoas insatisfeitas, desta estirpe, a vida é um peso e um verdadeiro tormento porque, o passado é tido como um fracasso, o presente como uma decepção e o futuro sem esperança. Nada está bom! Se está quente, deveria estar frio; se é alto deveria ser baixo; se é longe deveria ser perto…

O insatisfeito é um caso sério porque, psicologicamente, faz-se vítima; afetivamente, faz-se coitado; socialmente, faz-se rejeitado; humanamente, faz-se indigno e existencialmente, faz-se infeliz. Diz-se indefeso mas, usa sempre como álibi, as dificuldades, seu meio de vida. Seu discurso é o da chantagem emocional e sua oração é sempre um vale de lágrimas: “Deus me abandonou e se esqueceu de mim”.

A insatisfação é um abismo: quando não mata, leva para o desespero que, mata do mesmo modo. E não poderia ser diferente porque, afinal, o insatisfeito não tem os pés no chão: vive no mundo da lua e andando nas nuvens.

Cada um precisa aprender que a vida é uma tarefa.

As pessoas precisam cair na real, assumir a própria vida sem muletas e sem escoras; lutar e parar de brigas intermináveis; sonhar e deixar de viver de ilusões. Em outras palavras, não fazer da vida um tanque de guerra; não usar as necessidades como esquema para se aproveitar da bondade dos outros. É bom lembrar que a vida está repleta de surpresas que nos envolvem, o tempo todo, em suas tramas.

A esse respeito Paulo tem uma palavra de peso: “Eu prendi a me arranjar em qualquer situação. Aprendi a viver na necessidade e aprendi a viver na abundância; estou acostumado a toda e qualquer situação: viver saciado e passar fome, ter abundância e passar necessidade.  Tudo posso naquele que me fortalece  (Fl 4,11-13).

Não faz muito tempo, fiz uma música, cuja letra diz o seguinte:

“É melhor, as vezes, não ter mais do que o essencial, para poder viver

Há quem tem tudo e, nunca tem nada capaz de encher seu vazio.

Basta!  Só Deus basta! Só Deus basta para viver, o essencial!

É melhor, as vezes, não falar, mais que o essencial, para se entender

Há que diz tudo e, nunca diz nada capaz de ensinar a ter brio”

O excessivo apego às coisas torna as pessoas dependentes e, por conseguinte, doentes de insatisfação.  Não é capaz de se reconhecer em meio ao materialismo que lhe suga as forças e as convicções. Deixou-se dominar de tal forma pelos desejos e pela vontade que não sabe mais como escolher e decidir. Se não se libertar interiormente, vai tornar a vida a própria vida e a vida das outras pessoas insuportável; não terá sono para dormir e nem liberdade para viver.

Estamos nos aproximando da Páscoa de Jesus, o acontecimento máximo da fé que, nos ensina a tirar da cruz, a vida que não morre mais, a esperança que não decepciona, a luz que não se apaga, a força que não se deixa vencer. Tudo isso com o reconhecimento de que a vida humana não é um abismo, mas um aventura de amor que, tem Deus como criador, redentor e salvador!

Está em nossas mãos: se queremos é possível passar da insatisfação absurda para a realização plena da Páscoa de Jesus.

Feliz Páscoa!

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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