Comunidade: escola missionária

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Nem tudo, na vida, é permanente. Mas, aquilo que permanece, torna-se escola de formação do específico de cada um, quanto aos princípios, valores, conduta, visão, relacionamento, vocação e missão.

A família é, por si mesma, uma escola natural de formação para a vida; uma matriz de construção da existência; um referencial humano; um contexto vital. Nela, o individuo se realiza e, também, realiza sua vocação e missão.

Toda pessoa precisa de uma família. Este é um direito natural que não lhe pode ser negado. Sem família, a vida não flui. Sem família, a vida não acontece. Infelizmente, porém, não são poucos os que estão sem família, apesar de tê-la. As circunstâncias deste ‘despossuimento’ são múltiplas e não temos como relacioná-las, todas, aqui. Mas, não podemos perder de vista que, embora a família seja uma escola natural de formação para vida, ela não é exclusiva, mas, funciona em conexão com outras matrizes, como suporte.

A comunidade é outra matriz de construção para a vida, e, além do cabedal de formação correlato aos da família (princípios, valores…) integra elementos de fé, ampliando a relação interpessoal para a relação transcendental. Nesse sentido, comunidade é, não só um direito natural do indivíduo, mas, um dom de fé que, passa pela Igreja, e, precisa de adesão na corresponsabilidade.

A comunidade é o espaço humano-divino que garante a integralidade da vida, em formação permanente. O livro dos Apóstolos apresenta um modelo de comunidade que corresponde ao mistério humano, como encontro com Deus e o Outro: “Eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações…” (At 2,42-47).

No Documento 100, encontramos algumas expressões muito interessantes:

Nº 152: “A comunidade-Igreja encontra seu fundamento e origem no Mistério Trinitário (…) recebe o dom da unidade que permite a comunhão das pessoas com Cristo e entre si.”

Nº 172: “A expressão comunidade de fiéis indica a união, a partir da fé, daqueles que são batizados e estão em plena comunhão com a Igreja…”

Nº 177: A comunidade cristã é a experiência de Igreja que acontece ao redor da casa (domus ecclesiae).

Nº 178: A ideia de comunidade como casa fornece o conceito de lar, ambiente de vida, referência e aconchego de todos que transitam pelas estradas da vida. Recuperar a ideia de casa significa garantir o referencial para o cristão peregrino encontrar-se no lar.”

Portanto:

Nº 179: “A comunidade cristã é casa da Palavra, na qual o discípulo escuta, acolhe e pratica a Palavra.” Pela palavra se desenvolve o senso de Memória e Celebração (liturgia) que garante a manutenção da história, da pertença e da caminhada.

Nº 181: A comunidade cristã vive da Eucaristia (é casa do pão): “A fé da Igreja é essencialmente fé eucarística e alimenta- se, de modo particular, à mesa da Eucaristia.” A percepção da mesa põe a comunidade em estado de partilha, comunhão e perdão.

Nº 181: Na Palavra e na Eucaristia, o cristão vive numa nova dimensão, a relação com Deus e com o próximo: a dimensão do amor como ágape (torna-se a casa da caridade). A caridade amplia o compromisso com o outro para além dos vínculos religiosos porque caridade supõe o ideal de amor e justiça.

A comunidade cristã é chamada ao testemunho missionário. Sabendo que “missão supõe ‘testemunho de proximidade que entranha aproximação afetuosa, escuta, humildade, solidariedade, compaixão, diálogo, reconciliação, compromisso com a justiça social e capacidade de compartilhar, como Jesus o fez’.” (nº 186).

Sejamos comunidade, para o bem de nossa conversão missionária!

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

 

 

 

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