Assumindo a vida e a missão

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O que é a vida?

Não fique tentado a responder tecnicamente, mecanicamente ou evasivamente. Além do mais, a resposta não depende de curso superior, de genialidade ou de discurso.

A resposta não é uma explicação, já que a vida não é uma coisa tão exata.

O que é a vida?

A vida é brincar, poderia dizer uma criança; a vida é curtir, responderia, quem sabe, um jovem; a vida é sofrer, diria um infeliz; a vida é cuidar dos meus filhos, diria, talvez, uma mãe… a vida é trabalhar; a vida é o dia de hoje; a vida é a minha família; a vida é o bem estar; a vida é lazer; a vida é poder; a vida é a riqueza…

Cada uma dessas respostas está dentro de um universo simbólico de referências bem determinado, feito de princípios, valores, esperanças, afirmações, convicções… Neste caso, mais do que explicação, a vida tem um sentido e dá um sentido para as pessoas.

Ora, se a vida de uma pessoa, circunscrita dentro de um determinado universo (cultural, religioso, político, econômico…) informa os sentidos para a sua existência, então, valerá a pena se perguntar: “em qual universo está circunscrita nossa vida?” E, mais ainda, “que tipo de vida eu quero, que justifica o universo de referência. Sabendo que, nem tudo do universo de referência dá para, simplesmente, romper; jogar fora; por debaixo do tapete. Trata-se, na verdade, de uma reorientação dos sentidos. Isso significa tomar consciência de si e ter, diante da própria existência, algumas perguntas fundamentais, para realinhar tudo (decisões, escolhas, opções: ‘de onde vim’, ‘para onde vou’, ‘o que devo esperar’, ‘o que devo fazer’, ‘o que devo acreditar’?

Que tal? É um exercício muito importante.

Quem dera, pudéssemos colocar, todos os dias, diante de nós mesmos, tais questionamentos; permitir que a vida mantenha as portas abertas para o novo, o surpreendente, o desafiador, o que não consta do script; apostar, todas as energias na simplicidade, na delicadeza, nos pequenos gestos; enfatizar as coisas boas, edificantes, construtivas; esvaziar o coração das preocupações, da negatividade, da tristeza, do pessimismo…

O melhor universo referencial para a vida é a vocação; é o chamado.

Deus nos chamou à vida e nos concedeu o seu Espírito para que, o sentido das coisas (tempo, valores, bens, posses…) para a nossa vida e, da nossa vida para as coisas, favoreça a maturidade, na hora da aparente contradição, trazida pela morte, pela dor, pelo sofrimento, pela tristeza, pela dificuldade, pela perda…

Na Sagrada Escritura, a parábola dos vinhateiros da última hora (Mt 20,1-16), traz muitas luzes para as questões presentes nesta problematização.

O texto narra que, um patrão, depois de passar o dia todo, em horas diversas, chamando trabalhadores, para a sua vinha, no final da tarde, começa o acerto de contas: “Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: ‘Chame os trabalhadores, e pague uma diária a todos. Comece pelos últimos, e termine pelos primeiros’. Chegaram aqueles que tinham sido contratados pelas cinco da tarde, e cada um recebeu uma moeda de prata. Em seguida chegaram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. No entanto, cada um deles recebeu também uma moeda de prata. Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: ‘Esses últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor do dia inteiro!’ E o patrão disse a um deles: ‘Amigo, eu não fui injusto com você. Não combinamos uma moeda de prata? Tome o que é seu, e volte para casa. Eu quero dar também a esse, que foi contratado por último, o mesmo que dei a você. Por acaso não tenho o direito de fazer o que eu quero com aquilo que me pertence? Ou você está com ciúme porque estou sendo generoso?’”

O chamado de Deus não cria distinções e privilégios, mas, especificidades. Sendo assim, a ‘recompensa’ não é devida ao tempo de ‘trabalho’, pela anterioridade, mas, ao que cada um contribuiu, do que é seu, para a grandeza do conjunto. Eis o que é a vida: um chamado de Deus para edificar o Reino, cada qual no seu tempo e com sua contribuição.

A vida assumida como chamado, vocação garante o sentido e a vivência da missão. Isso significa ‘vocacionalizar para melhor servir’.

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos.

 

 

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