Altíssimo é o Senhor, mas olha os pobres” (Sl 137,6)

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O poder não convém a quem é injusto porque, injustiça e poder redunda em despotismo sanguinário e, todo aquele ou aquela que age em dissonância com o poder que lhe foi confiado, torna-se inábil, incompetente, ilegítimo e sem autoridade para exercer o poder. Por essa razão, merece queda; tem que ser deposto.

Somos uma sociedade (pretensamente) democrática por causa do sistema instalado no Brasil. Mas, somos de fato? Onde está a democracia brasileira: nos dicionários, nas enciclopédias, na constituição? Talvez nem nisso mais porque, a burla assanhada do poder político que está ai, tem se colocado acima de tudo o que, obviamente, é aceitável, pactuado e justo.

O Brasil vive uma grande crise! Mas, há quem diga que não.

Vivemos uma crise grave e, o grave da crise brasileira não é a possibilidade de colapso econômico mas, ético-moral. Infelizmente, prática política tem se desvinculado do justo, caiu no desmando e, por isso, a autoridade política perdeu crédito.

A crise brasileira é crise de autoridade. O poder está perdendo a autoridade e, poder sem autoridade não merece confiança. O povo não se sente, mais, representado; não se conforma; está indignado; perdeu a confiança.

O poder político autorreferencial, olha para o próprio umbigo, portanto, é narcisista. Não olha para o pobre, não reconhece o pobre.

Onde está a autoridade do poder? A autoridade do poder encontra-se na justiça e no Temor a Deus; daí o seu reconhecimento.

Vejamos o que diz São Paulo, na carta aos Romanos:

“Submetam-se todos às autoridades constituídas, pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram instituídas por Deus. Quem se opõe à autoridade, se opõe à ordem estabelecida por Deus. Aqueles que se opõem, atraem sobre si a condenação. Na verdade, os que governam não devem ser temidos quando se faz o bem, mas quando se faz o mal. Se você não quer ter medo da autoridade, faça o bem, e ela o elogiará. A autoridade é o instrumento de Deus para o bem de você, mas, se você pratica o mal, tema, pois não é à toa que a autoridade usa a espada: quando castiga, ela está a serviço de Deus, para manifestar a ira dele contra o malfeitor. Por isso, é preciso submeter-se, não só por medo do castigo, mas também por dever de consciência. É também por isso que vocês pagam impostos, pois os que têm esse encargo são funcionários de Deus. Dêem a cada um o que lhe é devido: o imposto e a taxa, a quem vocês devem imposto e taxa; o temor, a quem vocês devem temor; a honra, a quem vocês devem honra” (Rm 13,1-7).

Na nota de rodapé da bíblia pastoral temos o seguinte comentário: “Paulo escreve a uma comunidade perseguida pelo poder político, tentada por isso a negar radicalmente a função da autoridade política. O que Paulo diz não deve ser tomado como legitimação de qualquer autoridade política ou forma de sociedade; ele apenas mostra o fundamento, a função e, ao mesmo tempo, o limite de uma autoridade política. A autoridade, por direito, só pertence à natureza de Deus. Só ele é Senhor e juiz absoluto sobre os homens. A autoridade política encontra seu fundamento numa participação funcional na autoridade de Deus, em vista do bem comum. Sua função é servir ao povo, promovendo a justiça, zelando pelo direito e impedindo os abusos. Seus limites dependem do seu próprio fundamento e função: a autoridade não pode usurpar o lugar de Deus, pretendendo-se absoluta ou divina; nem pode servir a si mesma, oprimindo e explorando o povo”.

Somos cristãos e cidadãos. A fé não nos permite a passividade covarde e nem a arrogância da violência. Diante de qualquer forma de injustiça (principalmente, política), tenhamos a coragem da contestação, não violenta, de toda tirania do poder e a ousadia profética do Temor a Deus e da responsabilidade pela justiça e a paz.

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto; Google

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