Aceitação amorosa do sofrimento

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Santa Teresinha do Menino Jesus, que nasceu em 1873, tem um testemunho eucarístico belíssimo. Sua vida, ligada à do Cristo, está marcada pelo sacrifício da vida-à-serviço e do amor-doado.

“Minha vocação é o amor” exclama Teresinha. “Jesus! Quero amá-lo; amá-lo como nunca foi amado.”  “Que ele me dê um amor sem limites.”  “A todo preço quero colher a palma; se não for pelo sangue, é necessário que seja pelo amor! Não quero senão esta ciência, porque eu não tenho nenhum outro desejo, senão este: amar Jesus até a loucura!”

“O amor é devotado a Deus sem reserva, e sempre cheio de reconhecimento, não deixa de confiar nele, ainda quando lhe parece estar desamparado” (Imitação de Cristo III 5,7).

Tal foi o amor de Santa Teresinha, na aceitação do sofrimento. Foi neste ponto que se revelou maravilhosamente sua virtude de força e sua vida, profundamente eucarística.

Indagando sobre o sofrimento, Teresinha pergunta: “Como Deus, que nos ama tanto pode ser feliz quando sofremos?…” E, a resposta não tarda a ser sugerida pelo seu próprio coração:  “Oh, Não! Jamais nosso sofrimento o torna feliz. Esse sofrimento nos é necessário; então ele no-lo envia como que virando a cabeça.” E Teresinha assevera: “Custa-lhe (a Deus) aproximar-nos da fonte das lágrimas, mas sabe que é o único meio de nos preparar para o conhecermos como ele se conhece, para tornar-nos, também, deuses.” A grande questão é que “não estamos ainda em nossa pátria, e a tentação deve nos purificar como o ouro sob a ação do fogo”.

Teresinha estava com apenas quatorze anos de idade e já compreendia a utilidade do sofrimento: “É bem verdade que a gota de fel deve ser misturada a todos os cálices e, eu penso que, os espinhos ajudam muito a nos desprender da terra; eles elevam nosso olhar acima deste mundo.”

O pensamento de que a nossa vida de provação neste mundo é apenas uma passagem, “uma noite numa má hospedaria”, a consolava docemente, projetando sobre todas as suas cruzes um clarão bendito da eternidade.

Escrevendo, certa vez, à sua irmã Celina dizia: “o tempo é apenas uma miragem, um sonho… Deus já no vê na gloria, Ele desfruta de nossa beatitude eterna!.. Oh! Quanto este pensamento faz bem à minha alma! Compreendo, então, porque nos deixa sofrer…”

Com sincera humildade, Teresinha admite: “A provação amadureceu e fortificou minha alma, de tal sorte que nada mais neste mundo me pode contristar”.

Compraz-se em meditar a vida de Jesus e de sua Mãe. Vendo, então, que Deus não lhes poupou sofrimento, aprecia melhor os seus próprios sofrimentos e diz: “Jesus, no seu amor imenso, nos escolheu uma cruz preciosa entre todas… Como nos queixar, quando ‘ele mesmo foi considerado como um homem ferido por Deus e humilhado?’” (Is 53,4).

Jesus nos resgatou pela cruz!   Para cooperar com ele na redenção do mundo, é preciso que paguemos o mesmo tributo. Por isso diz: “Jesus tem por nós um amor tão incompreensível, tão delicado, que nada quer fazer sem nos associar a si. Quer que tenhamos parte com ele na salvação das almas. O criador do universo espera a oração, a imolação de uma alma pequenina para salvar uma multidão de outras, resgatadas como ela, ao preço de seu sangue.”

De modo mais contundente, afirma: “Precisamos viver de sacrifícios; sem isto a vida seria meritória?” “Oh! Não percamos a provação que Jesus nos envia; não faltemos à ocasião de explorar essa mina de ouro…”

Em tão poucas linhas, aprendemos com Santa Teresinha do Menino Jesus, que é impossível parar de sofrer, como muitos propõem. Isso é um absurdo! Possível é, dar sentido ao sofrimento. E, o sentido está no fato de que o sofrimento é participação no Mistério de Cristo.

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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