A vida e o reino de Deus

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Nada é tão nocivo para o ser humano senão a ação ou a inação do próprio ser humano, invariavelmente, carregadas por pesos e medidas que carecem de razoabilidade. Ou seja, por exemplo, quando queremos alguma coisa “batemos encima” daquilo até conseguirmos o feito, ainda que, atropelando, desconsiderando, desrespeitando e, até, “avançando o sinal”. Isso não é razoável. Não é racional. Não é inteligente. Não é sábio.

O princípio de razoabilidade é um conceito jurídico e está ligado a ideia de bom senso e proporcionalidade. Compreendido desta maneira, podemos, naturalmente, aplicar este princípio ao nosso cotidiano enfatizando que, dada a nossa capacidade de ponderação entre bem e mal, prós e contras, lícito e ilícito, justo e injusto, verdadeiro e falso… podemos chegar, facilmente, em atos e atitudes mais consequentes e condizentes com natureza humana que é racional, razoável e inteligente.

Sabemos e entendemos que A “pressa é inimiga da perfeição” assim como a mania de grandeza é inimiga da simplicidade. Em ambas as situações a grande tensão que existe é a perda de uma boa medida que suaviza os extremos sempre presentes na hora de agir. Por todo o canto e lugar podemos encontrar a falta de medida, de bom senso e de proporcionalidade que, afronta e desqualifica o bem da vida, da vivência e da convivência.

Trazendo tudo isso, para uma linguagem de fé podemos dizer que, no afã de ‘crescer e dominar a terra’ (Gn 1,22), aquilo que era benção de Deus, colocada em nossas mãos, transformou-se em tragédia porque, assim como a vida é mistério, nossos atos e atitudes devem, também, ser mistério. Nada, em nós, deve desdizer a vida, na sua grandeza, beleza e profundidade. Em outras palavras, nosso pensar, nosso sentir, nosso falar, nosso querer, nosso agir… tem que expressar aquilo que a vida é por sua natureza: autêntica, para gozar de autenticidade. Caso contrário somos, apenas, uma contradição ambulante e, como tal, negamos a vida e a felicidade.

A arrogância, o orgulho e a pretensão humana põe um grande véu sobre a vida e esconde o seu mistério e originalidade. A tal ponto que viver se confunde, muitas vezes, com peso nos ombros. Mas a vida, pelo contrário é bela. Por isso, para falar da grandeza, beleza e profundidade da vida Jesus, sempre, conta parábolas do Reino.

A Parábola da semente que cresce sozinha. Jesus mostra que o Reino tem uma força intrínseca, independente da ação humana.“O Reino de Deus é como um homem que espalha a semente na terra. Depois ele dorme e acorda, noite e dia, e a semente vai brotando e crescendo, mas o homem não sabe como isso acontece. A terra produz fruto por si mesma: primeiro aparecem as folhas, depois a espiga e, por fim, os grãos enchem a espiga. Quando as espigas estão maduras, o homem corta com a foice, porque o tempo da colheita chegou” (Mc 4,26-29).

A grande questão que se coloca aqui é a seguinte: Onde está o protagonismo humano? Na verdade, Deus é o grande autor-criador do universo. Não é a ação humana que produz o Reino, mas, o próprio poder de Deus, invisível e escondido como a vida na semente. Nossas impaciências só colaboram para distorções contra a vida.

A Parábola da semente de mostarda. Jesus ensina que o Reino, aparentemente insignificante se estenderá pelo mundo inteiro, com uma força de atração sem igual. “O Reino (de Deus) é como uma semente de mostarda, que é a menor de todas as sementes da terra. Mas, quando é semeada, a mostarda cresce e torna-se maior que todas as plantas; ela dá ramos grandes, de modo que os pássaros do céu podem fazer ninhos em sua sombra” (Mc 4,31-32).

A grande questão desta parábola é: A capacidade de crescimento não é mais importante do que a ilusão da força e do tamanho? Infelizmente nós perdemos somos presos às aparências e somos subjugados por suas derrotas. O crescimento do Reino de Deus é como a vida: começa pequenino, semelhante a uma semente minúscula e se desenvolve com exuberância até a colheita.

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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