A verdadeira vitória da curz

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Vencer é ganhar. Simplesmente assim. Essa é a noção imediata de vitória. Dois times estão jogando, o que ganha o jogo é o vencedor. Vários times estão disputando o campeonato: o que faz a melhor campanha e ganha a final, está com a vitória. Os atletas se preparam e realizam a maratona: um chega primeiro, é o vencedor. Dois ou mais candidatos disputam o pleito: o que tem mais votos é o vitorioso. Dois ou mais disputando uma vaga de emprego: aquele que foi contratado é o vitorioso…

Toda vitória, neste sentido, supõe um ou mais perdedores. Assim, ganhar é, também, impor derrota a alguém; um rindo e outros chorando!

Ora, se vitória é, sempre, ganhar, então, somos uma massa de perdedores afogados por um rio de lágrimas, enquanto uns poucos triunfam gabando-se da própria façanha, dos méritos e triunfo.

Infelizmente, a concepção de vitória, somente, como ganhar formou a visão triunfalista de ganhar, sempre, e a qualquer preço, mesmo que, para isso, seja necessário matar, roubar, corromper ou destruir porque, ninguém quer posar de perdedor numa sociedade de triunfalistas.

Paradoxalmente ao triunfalismo ufanista que bate no peito e se gaba de si mesmo, a fé cristã apresenta a verdadeira vitória, sintonizada com a experiência da cruz de Cristo.

De fato, a morte de Cristo é tida e vivida, imediatamente, como um fracasso total do Projeto de Reino, como lembra São Pedro: “…nos últimos dias aparecerão pessoas que zombarão de tudo e se comportarão ao sabor de seus próprios desejos. E dirão: “Não deu em nada a promessa de sua vinda!” (2Pd 3,3-4).

A cruz é a vitória de Cristo, mas, não no sentido triunfalista. A vitória da Cruz não cabe em quem pensa está preso na ideia de triunfo.

A verdadeira vitória da cruz, em princípio, não está no triunfo sobre algo ou alguém mas, está na obediência, na fidelidade, no amor e na misericórdia de Cristo. É esta a maior e a mais difícil vitória: vencer a si mesmo, o próprio ímpeto, o instinto, a agressividade, a violência, a vingança e a vontade de estar por cima: “Ele tinha a condição divina, mas não se apegou a sua igualdade com Deus. Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens. Assim, apresentando-se como simples homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz! Por isso, Deus o exaltou grandemente, e lhe deu o Nome que está acima de qualquer outro nome…” (Fl 2,6-9).

Toda vitória, neste mundo, é efêmera; passa num piscar de olhos. E, ainda que existam muitas medalhas e troféus: são meras lembranças de vitórias que passaram.

Para a fé, a vitória da cruz permanece porque não é, simplesmente, alguém ganhando e alguém perdendo; não é alguém com medalha e alguém sem medalha mas, alguém permanecendo obediente, fiel, amável e misericordioso, não obstante as situações difíceis e a morte.

O seguimento a Jesus se faz assumindo a cruz, cada dia, conforme suas palavras: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo  inteiro, mas perder a sua vida? O que um homem pode dar em troca da sua vida?” (Mt 16,25-26).

Paulo, compreendendo a verdadeira vitória da cruz dizia: “Portanto, com muito gosto, prefiro gabar-me de minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim. E é por isso que eu me alegro nas fraquezas, humilhações, necessidades, perseguições e angústias, por causa de Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,9-10).

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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