A utopia do bem prevalece o mal

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Um dos princípios do aprendizado, em qualquer modalidade de conhecimento é a imitação e a identificação. Não é difícil ver uma menina brincando com as roupas, calçados, joias e adornos da mãe. Da mesma forma o menino: imita o pai usando seus apetrechos e maneiras.

Ideias, pensamentos, comportamentos, condutas, atitudes e práticas são aprendidos e apreendidos no conjunto dos relacionamentos, convivências, afinidades e influências entre as pessoas, seja de maneira direta ou indiretas.

É evidente que não somos papel em branco, onde as inscrições dos outros determinam o que somos. Não se trata disso. Mas, antes do livre arbítrio acontecer como consciência da liberdade, somos ‘tatuados’ por inúmeras influências independentemente da idade porque, a consciência da liberdade está circunscrita ao meio em que vivemos, à ideologia assumida, às informações recebidas, aos interesses afirmados, aos sonhos e projetos assumidos.

Nesse sentido, onde o conjunto das circunstâncias são, por natureza, edificantes, a tendência é que as pessoas, por tal influência, serão edificadas. Em contrapartida, onde o conjunto das circunstâncias são, por natureza, degradantes, a tendência é que as pessoas, por tal influência, serão edificadas.

Não sou partidário do dualismo maniqueísta que polariza o bem e o mal. Mas, a força das más influências é que encontram um campo humano propício onde, fraquezas e tendências somadas ao individualismo, ao egocentrismo e outras inclinações acabam borrando a verdadeira capacidade humana ao bem, ao amor e à paz.

Eu acredito na força operativa do bem, na vida das pessoas: na sua beleza ética, no seu poder transformador, no seu surpreendente testemunho, no seu dinamismo profético, na sua irresistível atração. Mas, é claro, o bem não acontece, senão, por meio de lutas cotidianas, insistentes, perseverantes e constantes. São as referências do bem que otimizam o bem e lhe garantem credibilidade! Por isso é preciso multiplicar tais referências. Se não há referências do bem, como o bem pode prosperar?

Pessoas são referências, sempre, e, indispensáveis no processo de crescimento e maturação das pessoas. Vemos o quanto isso é verdade no dia-a-dia de nossa vida em sociedade.

Mas, aí vem o problema: um simples olhar para o Brasil, focando a política, os políticos, as instâncias de poder, a economia, os donos do dinheiro… nos deixa atônitos: quais são as referências positivas? Quem serve de exemplo para a geração presente e futura? Como sustentar princípios fundamentais frente a dilapidação dos valores básicos? O que esperar das crianças, adolescentes e jovens que convivem, o tempo todo, com o hipererotismo, a banalização do sexo, o desrespeito à vida, a fragmentação da família, a violência compulsiva, a corrupção doentia, a imunidade à lei, a impunidade dos erros…? Onde está o valor do cabelo branco? Cadê a honradez da palavra? Onde foi parar a honestidade? Onde encontrar a gentileza?

A utopia do bem prevalece ao mal. Mas, temos que fazer voltar a acreditar que a mudança do mundo começa em cada um de nós: nos gestos simples, nas demonstrações de amor, na bondade, na simplicidade… A referência para o homem de bem é o bem!

Diz o livro do Eclesiástico: “Se você não acumulou na juventude, como poderia encontrar alguma coisa na velhice? Como é belo para os cabelos brancos saber julgar, e para os anciãos saber dar conselhos! Como fica bem a sabedoria para os anciãos e o discernimento sábio para as pessoas honradas! A coroa dos anciãos é uma grande experiência, e o orgulho deles é temer ao Senhor” (Eclo 25,3-6). Assevera o livro da Sabedoria: “Velhice honrada não consiste em ter vida longa, nem é medida pelo número de anos. Os cabelos brancos do homem valem pela sua sabedoria, e a velhice pela sua vida sem manchas” (Sb 4,8-9).

Eu sou utópico do bem, mesmo em meio a tanta maldade!

 

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

 

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