A indiferença globalizada

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São muitos e incontáveis os males que pesam sobre os ombros da humanidade, principalmente com o fenômeno da globalização. Mas, entre os males do tempo presente, um dos mais nocivos e devastadores, nas relações interpessoais, é a indiferença porque, compromete senso de compaixão, solidariedade, misericórdia.

A indiferença é fruto da exacerbação do individualismo.

O papa Francisco, em 2013, chamava a atenção para uma globalização da indiferença. O contexto dessa afirmação foi uma missa, presidida pelo papa, depois que ele, acompanhado por barcos de pescadores de Lampedusa (Itália) jogou no mar, uma coroa de crisântemos seguido de uma profunda e emociante oração silenciosa, em memória dos emigrantes que morreram no Mediterrâneo, na entrada da Europa.

Na missa, o altar, o cálice e o báculo do Papa foram feitos com restos de madeira que sobraram dos barcos naufragados. Sim, o Papa, no meio dos emigrantes, usou um báculo de madeira.

Dizia o papa na Homilia:

“Emigrantes mortos no mar; barcos que em vez de ser uma rota de esperança, foram uma rota de morte. Assim recitava o título dos jornais. Desde há algumas semanas, quando tive conhecimento desta notícia (que infelizmente se vai repetindo tantas vezes), o caso volta-me continuamente ao pensamento como um espinho no coração que faz doer. E então senti o dever de vir aqui hoje para rezar, para cumprir um gesto de solidariedade, mas também para despertar as nossas consciências a fim de que não se repita o que aconteceu. Que não se repita, por favor.

Nesta manhã quero, à luz da Palavra de Deus que escutamos, propor algumas palavras que sejam, sobretudo, uma provocação à consciência de todos, que a todos incitem a refletir e mudar concretamente certas atitudes.

Hoje ninguém no mundo se sente responsável por isso; perdemos o sentido da responsabilidade fraterna; caímos na atitude hipócrita do sacerdote e do levita de que falava Jesus na parábola do Bom Samaritano: ao vermos o irmão quase morto na beira da estrada, talvez pensemos ‘coitado’ e prosseguimos o nosso caminho, não é dever nosso; e isto basta para nos tranquilizarmos, para sentirmos a consciência em ordem.

A cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros, faz-nos viver como se fôssemos bolas de sabão: estas são bonitas mas não são nada, são pura ilusão do fútil, do provisório. Esta cultura do bem-estar leva à indiferença a respeito dos outros; antes, leva à globalização da indiferença. Neste mundo da globalização, caímos na globalização da indiferença. Habituamo-nos ao sofrimento do outro, não nos diz respeito, não nos interessa, não é responsabilidade nossa!

Quem chorou pela morte destes irmãos e irmãs? Quem chorou por estas pessoas que vinham no barco? Pelas mães jovens que traziam os seus filhos? Por estes homens cujo desejo era conseguir qualquer coisa para sustentar as próprias famílias? Somos uma sociedade que esqueceu a experiência de chorar, de ‘padecer com’: a globalização da indiferença tirou-nos a capacidade de chorar!”

O evangelho de Jesus Cristo e a fé que professamos deve nos manter sensíveis e solidários às realidades humanas, sejam quais forem essas realidades”

“As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do Reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para comunica-la a todos” (GS,1).

Não endureçamos o nosso coração mas, escutemos, hoje e sempre, a voz de Deus na vida!

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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