A IGREJA E A ANIMAÇÃO VOCACIONAL

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Além da teologia da vocação, cabe também aqui uma referência à eclesiologia, uma vez que o serviço às vocações está intimamente relacionado com a vida da Igreja, com a experiência eclesial de cada diocese e com os conceitos eclesiológicos presentes na mente dos que fazem a animação vocacional.

Convém começar com um olhar sobre a Igreja dos nossos dias, uma vez que a análise do texto de Lucas, vista um pouco antes, se conclui com a apresentação dos vocacionados de Jesus, chamados a “pescar” em outra barca, a barca da comunidade cristã.

Toda animação vocacional feita a partir da experiência da Igreja “Povo de Deus” (cf. LG, 9-17), deve ter a audácia de propor um seguimento de Jesus que seja, de fato, permanente escola onde se aprende que toda vocação é sempre uma vida “diaconal”: “Eu estou no meio de vocês como quem está servindo” (Lc 22,27).

Do mesmo modo, não podemos esquecer que a preocupação com as vocações deve ser de toda a comunidade cristã (OT, 2). Por isso, com muita desenvoltura e coragem, precisamos insistir no princípio de “que todos somos animadores vocacionais”, ou seja, responsáveis uns pela vocação dos outros. Cada pessoa batizada tem a responsabilidade de viver bem o chamado, mas também de contribuir para que as demais tenham condições de responder ao chamamento divino para ser gente e para seguir Jesus.

Outro dado eclesiológico fundamental é o que mostra a comunidade eclesial, como “a mediadora da vocação e o lugar de sua manifestação”. A nossa resposta vocacional precisa colaborar para que tenhamos, de fato, uma Igreja que seja espaço de ação do Espírito que quer suscitar as vocações do Pai, no seguimento de Jesus. Isso quer dizer que não é suficiente qualquer jeito de Igreja. Existe um modelo, ou se quisermos, um cenário de Igreja, que é o lugar do apelo, do chamamento divino. Os subsídios vocacionais devem contemplar essas exigências, evitando as propostas tentadoras de certo marketing religioso.

Não podemos oferecer aos cristãos de hoje apenas uma experiência do sagrado. Precisamos propor uma autêntica espiritualidade, capaz de lhes dar ânimo e coragem para continuar firmes na missão, mesmo diante dos inúmeros desafios que aparecem. Não é possível seguir Jesus Cristo nos tempos atuais sem experimentarmos quotidianamente a graça de Deus e sem o esforço para permanecermos coerentes com as exigências do discipulado. No âmbito da animação vocacional isso é ainda mais evidente. Os animadores vocacionais serão capazes de comunicar o chamado divino na medida em que forem pessoas profundamente marcadas pelo amor da Trindade (cf. 1Jo 1,1-4) e pela compaixão para com a humanidade (1Jo 4,19-21). Por sua vez, os vocacionados e vocacionadas saberão responder com prontidão ao chamamento divino quando tiverem experimentado o “mistério de Deus” (2.º CIV, 7).

Estes aspectos da teologia e da eclesiologia, se bem trabalhados na animação vocacional, irão contribuir para deixar bem claro que o povo eleito de Deus é um só. Na Igreja, embora nem todos os cristãos caminhem pela mesma via, pela mesma vocação específica, todos temos a mesma e única dignidade e igualdade no que diz respeito à nossa identidade de discípulos e discípulas de Jesus e à nossa missão de evangelizar (cf. LG, 32). Essa mesma e igual dignidade nasce do mesmo e único chamado: a vocação à santidade, à plenitude da vida cristã que vem do batismo (cf. LG, 40).

Sem um serviço de animação vocacional na igreja, corremos o risco de perder o elo entre a vocação, o serviço missionário e o batismo que nos coloca, todos juntos, na mesma atitude de escuta e resposta.

Somos todos vocacionados fazendo da Igreja, no mundo, uma atenta seguidora dos passos daquele que chama e envia à missão que é dele.

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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