A FESTA DA PÁSCOA!

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A páscoa chegou e, com ela uma série de interrogações! Qual a sua origem? Quem mentalidade a formou? Que elementos importantes se pode destacar dela? Como entendê-la na fé cristã?

A Páscoa é uma festa de origem pastoril. Sempre foi celebrada pelos pastores nômades na primeira lua cheia da primavera.  Na noite anterior eles passavam o “gado” dos pastos do inverno para os pastos da primavera. E tal passagem era considerada por eles como muito perigosa, porque acreditavam eles – um “espírito exterminador” ameaçava matar o rebanho naquela noite. Para esconjurar tal perigo e tal ameaça, os pastores reuniam-se na noite anterior à da passagem da estação e ofereciam à  “divindade dos campos” um cordeiro em sacrifício; e com o sangue do cordeiro, recolhido numa bacia, ungiam a soleira das tendas, os batentes e a tenda.  Era um rito apotropálco (isto é, de esconjuro), para afastar o espírito exterminador.

Os israelitas conheciam essa festa antes mesmo de descerem para o Egito, onde viveriam e seriam depois escravizados (Gn 50,14; Ex 1). Quando reconheceram a ação libertadora de Javé que os tirará do Egito, eles usaram essa festa para celebrar tal acontecimento, fazendo-lhe porém, algumas adaptações: comer a ceia comemorativa de pé, cingidos, apressadamente, etc. (Ex 12,1-28). Assumem, por outro lado, os aspectos apotropálcos da celebração pastoril, dando-lhe também nova interpretação: é Javé quem livra os hebreus, ameaça e pune os egípcios. O livro do Deuteronômio (16,1-5) modifica a prática ritual passando a celebração da festa para dentro do Santuário: o livro dos Números (9,2-14) estipula os requisitos da pureza ritual para tal celebração.

A Páscoa vem ligada à Festa dos Ázimos, que era também uma festa agrícola, mas do povo cananeu que era um povo sedentário e não nômade. Era a festa da oferta das primícias das colheitas feitas à divindade como rito de ação de graças. No dia dessa festa jogava-se fora todo o fermento velho que se tinha em casa para fazer pão e fazia-se novo fermento. O sentido do rito era: “deixar a vida velha e começar vida nova”. O pão usado nessa Festa era o pão ázimo, isto é, pão sem fermento.

No Judaísmo e no Cristianismo todos esses elementos são retomados e reelaborados dentro da ótica pascal de cada religião. No Cristianismo a Páscoa/passagem lembra a paixão-morte e ressurreição de Jesus, que faz a nova e definitiva passagem: da escravidão do pecado para a liberdade da graça de Deus; o cordeiro pascal é figura de Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1,29); o sangue do cordeiro é figura do sangue redentor de Jesus; o fermento novo é figura da vida nova pascal, trazida por Jesus. De acordo com os sinóticos (os três primeiros evangelhos), a Ceia que Jesus celebrou na noite anterior à sua morte, foi a Ceia pascal (Mt 26,2 17-19; Mc 14,12-17; Lc 22,7-14); daqui procede o significado teológico da Ceia como Eucaristia, ação de graças, memorial.

A data da celebração da Páscoa varia de ano pra ano porque, depois de muita confusão quanto à sua celebração o Concílio de Nicéia (ano 325) adotou o critério de celebrá-la conforme a tradição dos antigos pastores: na lua cheia da Primavera. E estabeleceu que a Páscoa deveria ser sempre celebrada no primeiro domingo depois da primeira lua cheia da primavera européia e que ocorria entre os dias 12 de março e 26 de abril.

Há um transbordamento da história das origens pastoris e israelitas da páscoa para a fé cristã onde tudo tem seu conteúdo e expressão máxima em Cristo, o Ressuscitado.

Desejo-lhe uma Páscoa Santa e Cristã. O que vale é o Cristo!

Feliz Páscoa!

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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