A busca do silêncio

Compartilhe:

A busca do silêncio é algo necessário, valioso e surpreendente. Para uns, o silêncio é algo aterrador, difícil e insuportável; para outros, um esconderijo e uma fuga, para outros, uma restrição e uma imposição e, para outros, ainda, uma aventura que enseja o encontro com o mistério de todas as coisas, das pessoas e de Deus.

Infelizmente, a geração do tempo presente não é dada ao silêncio. Pelo contrário, existe um excesso de palavras, o que não significa mais revelação, comunicação e conhecimento. Sofremos de verborragia crônica: muita boca e pouco ouvido. Mas, o mais estarrecedor de tudo isso é que, no mundo, está proibido fazer silêncio.

Assim está escrito: “O homem sábio fica em silêncio até a hora oportuna, mas o falador e o insensato a deixam passar” (Eclo 20,7).

A sabedoria do silêncio está no próprio silêncio e, praticá-lo é a melhor maneira de conhecê-lo e saborear seus frutos.

Quando olhamos para os santos e santas nos perguntamos, quase que imediatamente: “quais são as suas virtudes e merecimentos?” Uma lista cheia de demonstrações de virtudes e merecimentos, sempre, acompanha aqueles que foram elevados aos altares. Mas, a bem da verdade, antes de qualquer coisa, os santos e santas só alcançaram a via da santificação quando, pela descoberta do silêncio, mergulharam no infinito mistério humano e divino.

Qual a experiência que você tem do silêncio?

Estamos na quaresma e, este tempo, oportuniza a re-descoberta do silêncio como algo que é próprio da nossa natureza e, portanto, fundamental para o crescimento e o amadurecimento pessoal. Aliás, foi nas entranhas silenciosas do útero de nossa mãe que, todos nós fomos gestados.

Os profetas e profetizas são pessoas da Palavra, encarregados de anunciar e denunciar em nome de Deus: falam em nome de Deus e agem em nome de Deus. De onde vem toda a força profética? Vem do silêncio! Se não silenciam, como poderão falar e agir em nome de Deus?

Sobre isso temos a experiência de Elias, narrada pelo livro dos Reis: “Javé lhe disse: ‘Saia e fique no alto da montanha, diante de Javé, pois Javé vai passar’. Então aconteceu um furacão que de tão violento rachava as montanhas e quebrava as rochas diante de Javé. No entanto, Javé não estava no furacão. Depois do furacão, houve um terremoto. Javé porém não estava no terremoto. Depois do terremoto, apareceu fogo, e Javé não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma brisa suave. Ouvindo-a, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou na entrada da gruta. Ouviu, então, uma voz que lhe dizia: ‘O que é que você está fazendo aqui, Elias?’ E Elias respondeu: ‘O zelo de Javé dos exércitos me consome…’” (1Rs 19,11-14).

O silêncio começa como jejum da boca e da palavra. Não é fruto da imposição, mas, é um acordo com o coração e com a existência. Não é uma greve e nem uma restrição, mas, uma oportunidade rica para ouvir a si mesmo e ouvir a voz de Deus.

Uma palavra que nasce do silêncio tem muita força porque é, não só assertiva, mas, cheia de simplicidade e verdade. O silêncio se veste com várias atitudes de respeito: fecho a boca porque não tenho o que dizer… não tenho palavras diante de determinadas situações, pessoas, fatos ou acontecimentos. Mas, a obcessão pela palavra elege o besteirol que, teima em abafar o sagrado silêncio.

Não tenhamos medo do silêncio, mas, escancaremos nossas portas para ele porque, o silêncio visita as reservas de nossa sabedoria que está à nossa disposição, como sopro do Espírito. Só o silêncio faz ouvir os gemidos da alma e as expressões autênticas do coração. O silêncio, na verdade, é o único que me entende e sabe esperar pela palavra redentora que enche de ânimo, coragem, força e fé. O silêncio guarda o fogo interior e não deixa apagar a chama que, ainda, fumega.

“Não conte nada para o seu amigo ou inimigo; só o faça quando o silêncio se torna cumplicidade” (Eclo 19,8).

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

Posts Relacionados

ANO
JUBILAR

AMIGOS DO
SEMINÁRIO

ESCOLA
MISSIONÁRIA
DISCÍPULOS DE
EMAÚS - EMIDE

Facebook

Instagram

Últimos Posts