Liturgia Dominical

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XI Domingo do Tempo Comum

“Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie operários…”

O Evangelho nos apresenta Jesus que vê diante de si gente cansada e abatida. Esta gente é a humanidade do seu tempo, mas é também a humanidade de todos os tempos. Quanto cansaço difuso, quanta crise existencial, quantas feridas no corpo e naalma de tantos irmãos e irmãs nossos nos dias de hoje.

Como reage Jesus diante desta realidade? Diz o Evangelho: “Jesus teve compaixão”. Deus se comove. É bela, é comovente esta notícia. O coração de Deus é compadecente.

Prestemos bem atenção! Foi exatamente neste momento de profunda compaixão que Jesus chamou os Apóstolos. Osacerdócio, então, nasceu como fruto e consequência do amor apaixondado de Deus pela humanidade sofrida.

Diz o Evangelho: “Eram como ovelhas sem pastores”. No entanto, pastores existiam; existiam os sacerdotes do templo, os mestres da lei. Por que, então, o Evangelho diz que eram como “ovelhas sem pastores”? A resposta se encontra lendo atentamente todo o Evangelho. Esse narra o choque existente entre Jesus e os pastores de Israel que tinham tornado-se cuidadores severos, esquecendo o coração da lei que é a misericórdia.

Jesus havia dito: “Aprendeis o que significa: Quero misericórdia e não sacrifício”. De fato, não vim chamar os justos, mas os pecadores” (Mt 9,13). E ainda: “Vós transgredistes as prescrições mais graves da lei: a justiça, a misericórdia, a fidelidade” (Mt 23,13). Ele veio para dar-nos o dom de novos pastores: pastores ao serviço da misericórdia de Deus.

“Os operários são poucos. Rezai, portanto,…” (Mt 9,37). Os novos pastores nascem da compaixão de Deus e da oração do seu povo. A oração, de fato, é indispensável para criar as condições da escuta ao chamado de Deus; e é indispensável, porque somente uma comunidade que reza pode tornar-se voz de Deus.

Madre Teresa de Calcutá amava repetir: “Recordais que a vossa vida fala muito mais forte que as vossas palavras. Se a vossa vida desmentir as palavras, as palavras não chegarão anenhum coração”.

Voltemos ao Evangelho. Claramente o Evangelho nos diz que foi Jesus quem chamou os Doze: estes constituem, por vontade de Jesus, um grupo de homens-guias, em torno dos quais se reúne o rebanho do Senhor.

Não é possível, portanto, desconsiderar a importância dos Apóstolos e dos seus sucessores. Estaríamos andando contra uma precisa vontade de Deus. Uma Igreja sem os Apóstolos não seria mais a Igreja de Jesus.

Alguém, porém, poderá dizer: “Mas entre os Apóstolos tem Judas!. Certamente. Ele nos recorda que cada um de nós pode tornar-se “Judas”. Jesus sabia que corria este risco. Sabia que a traição é um preço que também Deus paga quando escolhe os homens como seus colaboradores. Por isso a Igreja será sempre maravilhosamente mãe de tantos santos por graça de Deus, e ao mesmo tempo, sofrerá o escândalo por causa de muitos filhos seus que caem no pecado.

 

Dom Edilson Soares Nobre

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