Décimo Domingo Tempo Comum
“Quero misericórdia e não sacrifício”
No Evangelho deste domingo Jesus revela uma decisiva alergia a uma categoria de pessoas: aquelas que se consideram “justas” e usam sua justiça para condenar, excluir e mortificar, tornando-se, assim, injustos. Jesus desaprova explicitamente o comportamento daqueles que fingem ser da parte de Deus, mas, na verdade, permanecem na dureza dos seus corações e pretendem usar uma etiqueta religiosa para justificarem as suas atitudes. Mas, com Deus, estes truques não funcionam.
O Evangelho de hoje apresenta o Cristo misericordioso que não tem medo de aproximar-se dos pecadores. Eis os fatos:
Jesus, passando por Cafarnaum, chama Mateus para ser apóstolo. Mas Mateus era um publicano, ou seja, um cobrador de taxas que, em prática, era visto como inescrupuloso e desonesto.
Vejamos o que faz Jesus! Ele ultrapassa cada esquema criado pelos homens; caminha em meio aos pecadores e senta-se à mesa com eles sem a mínima repugnância e lança a semente do perdão em todos os terrenos.
Deus faz assim! Deus é assim! Esta bondade de Deus produz milagres maravilhosos: um destes milagres é o próprio Mateus, que deixa um mundo de falsas seguranças, porémfáceis, e entra em um mundo de seguranças verdadeiras, mascom caminhos difíceis.
Observemos Mateus. Improvisamente ele se dá conta que o seu dinheiro não compra a alegria, a felicidade, a paz; e abandona tudo. Mateus é o homem pego de surpresa pela misericórdia de Deus, se deixa perdoar, diz sim ao convite, torna-se apóstolo e santo. Estas são as maiores satisfações de Deus; são as alegrias do Céu. Bendito seja este Deus, que nos supera em bondade! Bendito seja este Deus que enxerga muito além do que nós enxergamos, por causa das nossas “miopias”.
“Os fariseus diziam aos seus discípulos: ‘porque o vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?’” (Mt 9,11). Continua Mateus: “Jesus ouviu a pergunta e respondeu: aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas, sim, os doentes. Aprendei, pois, o que significa: Quero misericórdia e não sacrifício” (Mt 9,12-13).
Vale lembrar que Jesus está falando com pessoas que conhecem perfeitamente as Escrituras. Jesus recorda àqueles e aos seus seguidores de todos os tempos que é possível memorizar todas as Escrituras, mas isto, nem sempre, implicater entendido a sabedoria que se encontra por trás de cada bela Palavra, nem sempre significa ter acolhido o seu significado profundo.
Eis a mensagem que Jesus quer transmitir-nos noEvangelho de hoje: “Eu quero Misericórdia e não um culto feito somente de coisas e atitudes exteriores”.
Nesta mesma perspectiva, a primeira leitura (OS 6,3-6) nos exorta a buscar o Senhor com sinceridade e perseverança, reconhecendo que Deus deseja mais a nossa fidelidade e misericórdia do que sacrifícios vazios. Assim está escrito: “Quero amor e não sacrifícios, conhecimento de Deus, mais do que holocaustos”.
Dom Edilson Soares Nobre










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