E CHEIOS DO ESPÍRITO SANTO, CANTAVAM AS MARAVILHAS DE DEUS. ALELUIA!

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Neste domingo, 24 de maio de 2026, a Igreja, passados 50 dias após o Triunfo da Ressurreição, comemorou, solenemente, o Pentecostes: ocasião em que se rememora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e Maria Santíssima no Cenáculo. Ao mesmo tempo, também, fez alusão ao início da missão evangelizadora dos primeiros cristãos.

Passado o período em que a liturgia faz memória do convívio do Ressuscitado com seus discípulos e de sua gloriosa Ascensão aos Céus, é chegada a hora de recordar a promessa de Cristo, segundo nos narra São Lucas: “Mas recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria, e até os confins da terra” (At 1, 8). E não só recordar a promessa, mas, também, seu cumprimento, como nos mostra o citado evangelista: “Então apareceram línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava” (At 2, 3-4). E ainda, conforme diz o Apóstolo: “De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito” (1Cor 12, 13). Tal cumprimento já é a realização de uma ânsia por renovação de todas as coisas, provinda do Antigo Testamento, como nos mostra o salmo da solenidade: “Enviai o vosso espírito e renascem e da terra toda face renovai” (103 (104), 30). Essa ação do Paráclito, de acompanhar a Igreja e fazer novas todas as coisas, se faz presente na missão evangelizadora até os dias de hoje e continuará até que o Senhor venha para julgar vivos e mortos.

Como expressões externas de um sentimento interior que brota do coração da Igreja e de seus fiéis, a Solenidade de Pentecostes é comemorada de diversas maneiras, seja por meio da liturgia oficial, seja por meio de gestos devocionais. Dentre estas últimas, se destaca a tradicional Festa do Divino Espírito Santo: tradição de origem europeia que remonta a Idade Média e cujos principais expoentes foram a Rainha D. Isabel de Aragão e os ditos Franciscanos Espirituais, principalmente, na pessoa de Joaquim de Fiore. Apesar das influências devocionais de uma e outra personagem, a celebração, onde frutificava, ganhava caracteres especiais, próprios de cada povo e cultura. Na cidade de Oeiras, importante berço da religiosidade piauiense, a festa tem grande influência portuguesa, sendo retrato disso a figura do Imperador ou da Imperatriz e das insígnias imperiais que os acompanham, além daquela de maior apreço de toda a celebração: a imagem do Divino Espírito Santo.

No corrente ano, na Paróquia Nossa Senhora da Vitória, a imperatriz da festa foi Maria Elisa Albuquerque que, na casa de familiares, abrigou, durante o ano 2025-2026, as insígnias da festa e abriu as portas do lar, o transformando em santuário, para que fiéis, durante todo o citado período, pudessem fazer suas devoções perante a imagem do Divino Paráclito. Para a Solenidade de Pentecostes, por volta das 8h20, toda a família, portando os aparatos da festa, se dirigiu em cortejo até a Igreja Catedral de Nossa Senhora da Vitória, onde, ao som do coro que entoava o Abrasai em divinas chamas, foi recepcionada por Dom Edilson Soares Nobre- recém-nomeado bispo da Diocese de Guarabira (PB)-; pelo Rev. Pe. Kleyton Vieira, pároco da Catedral; e pelo Rev. Diác. Gutemberg Rocha. Logo após, as 9h, foi dado início a Solene Missa Pontifical, que seguiu conforme mandam os Rituais Romanos.

Em sua homilia, Dom Edilson frisou a centralidade da celebração do dia: estarmos despidos de qualquer sentimento de arrogância e abertos para a plena ação do Espírito Santo que dota a todos de dons, ministérios e atividades, tanto para o serviço eclesial, quanto para a vida familiar e laboral.

Ao término da Santa Missa, seguiu uma procissão de volta para o Santuário. Lá, em meio a cantos e orações, foram encerradas as cerimônias matutinas.

Pela noite, as 19h, mais uma vez, após cortejo, foram as insígnias e a família festeira recebidas na Igreja Catedral. Houve Missa Solene, presidida pelo pároco. Ao término, a imagem, coroa, cetro, bandeira e estandarte, foram repassados para a família da nova imperatriz do ano 2026-2027: Maria Catarina Ferreira Fontes. Um último cortejo foi realizado, tendo este aportado no novo santuário, localizado a Avenida Brigadeiro Manuel Clementino, Nº 194.

Celebrar a Solenidade de Pentecostes, com toda a sua riqueza litúrgica e devocional, é momento propício para que todos os fiéis rememorem que tudo o que tem provem de Deus, e não de mérito próprio, pois só o Espírito Santo é quem dispensa, gratuitamente a cada alma, dons que impulsionam o crescimento do Reino de Cristo- a Igreja- na sociedade e, por meio da abertura a eles, faz com que as maravilhas de Deus continuem a ser cantadas em todo tempo e lugar.

Texto: Cícero Júnior Ferreira da Silva

Fotos: Ryan Andrade e Fabiola Kennedy

 

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