Liturgia Dominical: “Que o nosso sim seja verdadeiro!”

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XXVI domingo do Tempo Comum

No Evangelho de hoje Jesus nos oferece uma reflexão através de uma parábola na qual os protagonistas são dois filhos. O primeiro filho diante do pai diz sempre “sim”, transmite a ideia de ser uma pessoa tranquila e obediente; mas, na realidade, ele vive contra o pai porque a sua bondade é somente um manto de hipocrisia. Este filho vive ao lado do pai, mas o seu coração está distante a milhares de quilômetros do coração do pai. Este filho se assemelha ao Filho mais velho apresentado por Jesus na parábola do filho pródigo (Lc 15,18-32).

A quem Jesus dirige a sua mensagem? Por trás da imagem do “filho falso”, Jesus certamente pretende voltar-se a tantas pessoas religiosas do seu tempo e que serve ainda para os tempos de hoje. As suas palavras soam como forte advertência: a Deus não se pode enganar! O fingimento não vale diante de Deus. Para Deus serve somente ser verdadeiro. Não nos salvamos com as belas palavras ou com a “veste do justo”. Ocorre ser justo de fato.

Jesus, portanto, condena o farisaísmo de todos os tempos e nos recorda que o sangue dos fariseus pode correr muito bem nas veias dos cristãos de hoje. Sejamos, portanto, verdadeiros, vivamos decididamente na verdade. Sentiremo-nos seguros somente quando em nossa alma não existir mais sinais de falsidade.

O segundo filho. Jesus apresenta outra possível escolha: a escolha do filho que diz “não” ao pai. Este filho aparentemente é um rebelde, mas a sua rebelião é somente exterior: de fato o seu coração é secretamente sensível e assim próximo ao coração do pai, a ponto de arrepender-se do “não” que pronunciou até decidir de fazer a vontade do pai.

Neste filho rebelde, porém, revestido de bondade, Jesus, com o seu olhar divino, ver os convertidos de todos os tempos: Saulo de Tarso, Agostinho de Hipona, Francisco de Assis, Camilo de Lélis e muitos outros. Estes alegram o coração de Deus, porque acolheram o perdão e mudaram de vida.

Jacques Fesch, um jovem criminoso francês condenado à guilhotina (decapitado) na França em outubro de 1957 por haver cometido um duplo crime no ano de 1954: um assalto de um cambista acompanhamento e o homicídio de um policial, assim descreve o tempo do seu “não” ao Senhor: “Tudo me empurrava a pegar a via larga que conduz ao abismo. Onde eu encontraria a força para voltar atrás? No cinismo que me foi inculcado?” No entanto, este filho do “não”, apenas sentiu a voz de Deus, caiu de joelhos: chorou, acreditou no perdão, aceitou a morte e se jogou confiantemente nos braços do infinito Amor. Na última noite de espera da guilhotina assim escreveu no seu diário: “Jesus está próximo a mim. Ele me chama sempre mais; e eu não posso mais que adorá-lo em silêncio desejando morrer de amor… Tenho os olhos fixos no Crucifixo e os meus olhares não se desviam das chagas do meu Salvador… Quero guardar esta imagem até o fim, eu que sofrerei pouco. Espero o amor! Dentro de cinco horas verei Jesus”.

Estes sentimentos iluminam o sentido das palavras de Jesus: “Em verdade vos digo: os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino dos céus” (Mt 21,30).

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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