Testemunhas da Luz!

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Nos últimos tempos, sem qualquer cerimônia, temos experimentado, nos meios de comunicação e redes sociais, uma avalanche de notícias com revelações bombásticas de roubos, corrupção, malversação da coisa pública, desvios, conchavos, suborno, crimes eleitorais, improbidade, engodo, trapaças… num cenário político deplorável, digno de crônica policial.

Todas essas revelações, colocadas ao claro do dia, pra quem quiser ver, poderiam ser ocasião de grande mudança no país, pela responsabilização de justiça através de condenações exemplares, como acontece quando uma criança é flagrada numa danação e é corrigida. Mas, não. O que ocorre no cenário da justiça brasileira é, exatamente, o oposto. As condenações são políticas, brandas e ineficazes. A instituição de justiça é cheia de boa vontade e ideais mas, na prática, para peixes grandes tem uma rede furada: só alguns ficam na mal resolvida “malha fina”. As brechas de lei – estrategicamente deixadas pelos legisladores – e os inúmeros recursos impetrados contra a justiça aumenta a morosidade dos processos e garantem a impunidade dos criminosos que ganham, diariamente, propaganda gratuita nas mesmas denunciantes. E o que é pior, a indignação do povo e a vergonha de ser brasileiro acaba sendo mais refrãozinho barato que leva pessoas para a rua, mas, não leva consciência para os atos fundados em novas atitudes. Na verdade, enquanto está tudo pegando fogo no cenário brasileiro, estamos nos fartando com compras e vendas no “natal dos sonhos”.

Eu sempre acreditei que a exposição do que está escondido ou foi ocultado é tempo oportuno da verdade, da justiça, da responsabilidade, da punição, da mudança… mas, nada disso está acontecendo verdadeiramente. Há sim um estado de embromação; coisa ‘pra inglês ver’.

O que é isso? O que está acontecendo? Por que tanto imobilismo? Por que tanta indiferença? Por que tanto faz de contas? Por que tanta alienação?

Uma coisa para mim está clara e isso sim é serio e grave: tudo o que está sendo revelado, exposto e propalado pelas mídias e redes, são de fato acontecimentos que pesam contra a ordem e o direito da soberania e da cidadania, mas, não é nem a metade e nem toda a verdade. Os meios de comunicação e redes que mais soltam as informações, estão todos comprometidos e comprometem as notícias; não são testemunhas da verdade. Por isso, soltam para o povo, somente partes da verdade que interessa publicar e fazer ver e ouvir.

Por que as grandes redes e mídias não falam da força de resistência dos pequenos, da solidária solução de problemas crônicos espalhados no país, dos mutirões sem a necessidade do dinheiro, das iniciativas de caridade dos pobres, da economia solidária? Por que não falam das milhares de pessoas socorridas, apoiadas e promovidas pela cáritas brasileira? Por que não falam da organização das comunidades, como rede de famílias? Por que não falam da greve de fome dos militantes camponeses e outros militantes contra a reforma da previdência?

A propósito do testemunho da verdade, João Batista, o precursor de Jesus, ainda hoje continua nos instigando a sermos testemunhas da luz e da verdade. Ele foi enviado por Deus como testemunha da luz e desempenhou, exemplarmente, esta missão: “Apareceu um homem enviado por Deus, que se chamava João. Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas apenas a testemunha da luz. A luz verdadeira, aquela que ilumina todo homem, estava chegando ao mundo” (Jo 1,6-9).

É muito contraditório uma sociedade, como a nossa, de tantos batizados (católicos e outras denominações), seguidores de Jesus, pregadores do evangelho… e o país mergulhado na mais nojeta situação de esgoto e, perversamente dominado por ratos e correligionários.

Se queremos que as revelações dos males do Brasil tenham efeito de justiça, não podemos entregar esta responsabilidade aos corrompidos pelos interesses de classe, política, social e economicamente estabelecidos mas, confiá-los aos que, ainda, como João Batista, são foco de esperança profética, como testemunhas da luz. Verdade seja dita, são poucos, mas, existem e podem irradiar se vierem a lume.

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

 

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