Tempo de refazermo-nos

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Nossa visão sobre as coisas está sempre prejudicada pela identificação de felicidade com circunstância. Vivemos a prisão dos momentos. Confundimos o todo com a parte. Medimos o pequeno pelo grande. Dedicamos uma parte consideravelmente grande de nossa vida com negatividade. Distraímo-nos, facilmente, com bobagens: coisas artificiais e superficiais. Somos um poço de reclamação permanente. Nunca estamos contentes com nada.

Na verdade cada um de nós precisaria redescobrir o centro motivacional da vida para compor a própria existência. Porque a maior causa de nossa visível insatisfação com tudo e, a vezes, com todos, não é outra coisa senão, a falta de sentido humano. A questão é que vivemos para fora de nós mesmos. Somos forasteiros da nossa própria condição. Somos turistas da nossa humanidade. Somos visitantes de nossa história. Nos escondemos em padrões culturais, políticos, econômicos e, até religiosos como um escudo de proteção. E deveria ser isso para nós, plataforma do sentido humano.  Em outras palavras, nós vivemos sempre a partir das referências externas: é o que fulano diz, é o que beltrano pensa, é o que sicrano gosta… Vivemos a ditadura da exterioridade e isso não é vida que valha a pena.

Na linguagem bíblica, a parábola do semeador resume aquilo que é a vida humana em suas misérias e grandezas, suas forças e fraquezas, suas aberturas e fechamentos, sua humanidade e divindade. Enfim, o sentido profundo de uma existência completa, assumida e não negada.

“Jesus ensinava-lhes muitas coisas com parábolas. No seu ensinamento dizia para eles: ‘Escutem. Um homem saiu para semear. Enquanto semeava, uma parte caiu à beira do caminho; os passarinhos foram e comeram tudo. Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; brotou logo, porque a terra não era profunda. Porém, quando saiu o sol, os brotos se queimaram e secaram, porque não tinham raiz. Outra parte caiu no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram, a sufocaram, e ela não deu fruto. Outra parte caiu em terra boa e deu fruto, brotando e crescendo: rendeu trinta, sessenta e até cem por um.’  E Jesus dizia: ‘Quem tem ouvidos para ouvir, ouça’!

O próprio Jesus explica a parábola que ele conta.

O semeador semeia a Palavra. Os que estão à beira do caminho são aqueles nos quais a Palavra foi semeada; logo que a ouvem, chega Satanás e tira a Palavra que foi semeada neles.  Do mesmo modo, os que recebem a semente em terreno pedregoso, são aqueles que ouvem a Palavra e a recebem com alegria; mas eles não têm raiz em si mesmos: são inconstantes, e, quando chega uma tribulação ou perseguição por causa da Palavra, eles logo desistem. Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a Palavra; mas surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, que sufocam a Palavra, e ela fica sem dar fruto. Por fim, aqueles que receberam a semente em terreno bom, são os que ouvem a Palavra, a recebem e dão fruto; um dá trinta, outro sessenta e outro cem por um” (Mc 4,2-20).

Precisamos recuperar-nos para nós mesmos. Precisamos redescobrir os valores que nos fazem ser gente. Precisamos recuperar a nossa integridade. Precisamos responsabilizarmo-nos por tudo aquilo que diz respeito ao nosso ser total. Precisamos refazer a aliança de amor conosco mesmo.

É tempo de refazermo-nos para não sucumbirmos às múltiplas ditaduras no nosso tempo.

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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