Reflexão de Dom Edilson Nobre por ocasião do Aniversário da Dedicação da Catedral de Oeiras

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“Em vossa casa, ó Pai, vos louvamos, com festas e luzes nos vos celebramos”

Amados irmãos e irmãs! Estimados sacerdotes, diácono, religiosas, religiosos e animadores missionários das diversas pastorais, serviços e movimentos!

Alegremente, vibram os nossos corações em Deus, por estarmos aqui reunimos em oração juntos a Virgem da Vitória, Mãe de Deus e nossa Mãe, como assim fizeram os apóstolos quando se reuniram no Cenáculo para rezar.

No calendário de nossa Igreja Católica, hoje celebramos a festa do diácono e mártir São Lourenço. Trata-se de um santo homem de Deus que viveu e testemunhou a fé no século III em Roma, como colaborador do Papa Sisto II. Ele suportou intrepidamente atroz martírio numa grelha. Quando lhe quiseram arrancar seus bens ele já havia dado aos pobres, por ele qualificados como verdadeiros tesouros da Igreja. Lourenço entregou-se a si mesmo ao serviço da Igreja. Foi digno de sofrer o martírio e de subir com alegria para junto do Senhor Jesus.

Lembramos ainda que este nosso encontro é também revestido de motivações diocesanas: Os festejos da padroeira de nossa diocese e o aniversário de dedicação deste templo, Igreja Catedral de Nossa Senhora da Vitoria, cujos altares foram ungidos pelo então Núncio Apostólico, Dom Baldisseri. Esta Igreja templo de pedra é a casa mãe de nossa Igreja particular que a chamamos Diocese de Oeiras. Ela é um sinal simbólico que nos remete à Igreja povo de Deus, constituída por todos os homens e mulheres que receberam a graça sacramental do batismo, como assim nos ensina o Concílio Ecumênico Vaticano II.

O Pontifical Romano, na Introdução à Dedicação de uma Igreja, afirma: “Por sua morte e Ressurreição, Cristo tornou-se o verdadeiro e perfeito templo da Nova Aliança e reuniu o povo adquirido. Esse povo santo, reunido pela unidade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, é a Igreja ou templo de Deus. Construído de pedras vivas, onde o Pai é adorado em espirito e verdade. Com muita razão, desde a antiguidade deu-se o nome de “igreja” também ao edifício no qual a comunidade cristã se reúne, a fim de ouvir a palavra de Deus, rezar em comum, frequentar os sacramentos e celebrar a Eucaristia”.

Na segunda leitura que hoje ouvimos, da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, capitulo 3, versículos 9 e seguintes, o escritor bíblico vai se utilizar da linguagem metafórica para fazer a correlação de nossa vida como construção. “Vós sois construção de Deus” (I Cor 3,9).  Esta construção tem como alicerce Jesus Cristo, e por isso nos tornamos santuários de Deus, morada do Espirito Santo (cf I Cor 3,11.16). É gratificante interiorizarmos este ensinamento: nós vamos sendo edificados por Deus. A edificação se dá dentro de um processo. Não nascemos prontos. Quanto mais permitirmos que o Espírito Santo nos habite, mais este templo terá uma base sólida.

Convido-lhes, irmãos e irmãs a darmos mais um passo para adentrarmos no santo Evangelho narrado por Mateus 16,13-19. Jesus dialoga com os seus discípulos. Alias, dialogar é palavra chave, necessária para se contrapor a um mundo em que se vive a tendência à polarização. Neste dialogo surge a indagação: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?”.  Algumas respostas: João Batista, Elias, Jeremias, alguns dos profetas.

Outra pergunta, intencionalmente é feita: “E vós?” Quem responde é Pedro. O que ele diz? “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Uma verdadeira, fundamental e indispensável profissão de fé. Pedro evoluiu pelas catequeses recebidas. Aos poucos Jesus vai colocando-o no prumo e vai confirmando-o numa extraordinária e desafiadora missão: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la”. O nome muda: Simão agora é Pedro, a rocha firme sobre a qual o poder do inferno não prevalecerá. A responsabilidade aumenta: “Eu te darei as chaves do Reino dos céus”. Não se trata de um poder caprichoso para ligar aos céus simplesmente os “queridinhos” afetivamente mais próximos. Trata-se de uma chave que possibilita abertura do coração para a nossa conversão e para o nosso seguimento à pessoa de Jesus Cristo. Trata-se da responsabilidade na condução da Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo, que naquela circunstância, era apenas um embrião a ser confirmado no dia de Pentecostes, quando verdadeiramente Pedro vai estar preparado para atender ao chamado do Senhor e conduzir a Sua Igreja.

E nós, que aqui estamos? Por onde caminhamos? Que estrada percorremos? Já fomos capazes de ouvir os apelos do Senhor? A nossa resposta tem sido sim, ou não? Estamos agindo e contribuindo para que as portas do Reino dos Céus nos sejam abertas? E os nossos demais irmãos e irmãs que encontramos nas estradas da vida, os ajudamos a despertar para Deus e para a missão? Por ventura temos nos preocupado em ser uma Igreja verdadeiramente samaritana, capaz de cuidar das vítimas de todo tipo de violência gerada pela sociedade hodierna?

Deixemos que Maria, Mãe da Vitória, vocacionada na graça para a missão nos ensine a sermos também vocacionados na graça que Deus nos reservou e que vivamos com ardor, com coragem e com convicção a missão de discípulos de nosso Senhor Jesus Cristo.

 “Em vossa casa, ó Pai, vos louvamos, com festas e luzes nos vos celebramos”

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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