Quinta-feira Santa: Primeiro dia do Tríduo Pascal

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O amor serviçal

A Quinta-feira Santa é o fim da quaresma e começo do Tríduo Pascal com as celebrações, a partir das 18h.

No cenáculo, Jesus se revela como Mestre e diz o que é preciso para entrar em seu discipulado. Conta o Evangelho de João que, após lavar e enxugar os pés dos discípulos, Jesus disse: “Vocês me chamam Mestre e Senhor e eu o sou. Se eu lhes lavei os pés, vocês devem lavar os pés também uns dos outros” (Cf. Jo 13, 12-14). Eram os servos e os escravos que se ajoelhavam no chão, retiravam as sandálias, lavavam e secavam os pés dos senhores. Jesus se faz servo e propõe aos discípulos a prática do amor serviçal.

Na manhã da Quinta-feira Santa, o bispo reúne o clero da diocese e preside a “Missa do Crisma” ou dos “Santos Óleos”. É a solene renovação da ordem, o sacramento do serviço amoroso, cuja origem vem do mandato de Jesus na última ceia: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19). Os sacerdotes são revestidos do ministério de Jesus, e, em seu nome, servem o povo de Deus. O bispo consagra o óleo do crisma e os óleos que serão usados no batismo e na unção dos enfermos. Cada sacerdote recebe uma medida, em sinal de unidade da Igreja ao redor de Cristo Mestre, Servidor e Sacerdote. Na Diocese de Oeiras, por razões pastorais, essa missa foi realizada na segunda feira à noite.

O Mestre aprendeu da discípula

A liturgia da noite de Quinta-feira Santa celebra a instituição da Eucaristia. Começa com a cerimônia do lava-pés, que no Evangelho de João (Cf. 13,1-18), vem precedido de um outro relato semelhante: Maria, irmã de Lázaro de Betânia e discípula de Jesus, durante a ceia, lavou os seus pés com perfume e os enxugou com os cabelos (cf. Jo 12,1-8). Jesus comoveu-se pois sentiu nela o verdadeiro amor serviçal. Pouco depois, antes da ceia de despedida, profundamente sensibilizado, pensando em um modo de comunicar seu amor aos discípulos, não encontrou nada melhor do que o gesto de Maria: lavar e enxugar os pés. Revelou a grandeza de sua posição de mestre, ao inclinar-se para honrar e servir a quem estava a seu redor e também por imitar o gesto de uma discípula sua que o havia confortado pouco antes, lavando-lhe e enxugando-lhe os pés.

Ser discípulo é dizer: “Coma e beba”

O Evangelho de Mateus, no capítulo anterior à narrativa da última ceia, revela a única exigência indispensável para a salvação: “Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber…” (Mt 25,35). No capítulo seguinte, descreve a ceia do cenáculo: “Tomai e comei… Tomai e bebei” (Mt 26, 26-29). Jesus, que no Evangelho de João se apresenta como Mestre e convida os discípulos a servir, agora em Mateus revela a quem é preciso servir e que serviço prestar ao mais humilde: “Dar de comer e dar de beber”. É um serviço que deve ser prestado até a uma animalzinho faminto! Todo ser vivo precisa comer e beber e está é uma exigência fundamental da Eucaristia.

Na Eucaristia, comemos e bebemos do pão da vida que o Senhor nos serve. Na pessoa do irmão necessitado, retribuímos a ele o alimento e a bebida, dando de comer e de beber. É isso que o Mestre espera de quem quer entrar no discipulado. Os discípulos de Emaús só o reconheceram quando tiveram coragem de partilhar o pão com um estranho peregrino. O apóstolo Paulo, ao lidar com dificuldades comunitárias na Igreja de Corinto, advertiu: participar da ceia eucarística e privar os irmãos necessitados do alimento material é escolher a própria condenação (cf. Cor 11,17-29).

Encarnação e Eucaristia: um único “faça-se”

A Virgem Maria foi a primeira hóstia viva. Ao seu “faça-se” (cf Lc 1,38), o Filho de Deus entrou na vida humana, por obra do Espírito Santo e se fez carne. Foi como se o Filho de Deus pronunciasse sobre a carne de Maria sua palavra transformadora: “Isto é meu corpo” e sobre o sangue de Maria: “Isto é meu sangue”. A substância espiritual de Deus assumiu a substância carnal de Maria. Ele era “consubstancial a Deus” e passou a ser também consubstancial à carne humana.

Na plenitude dos tempos, o Verbo Eterno de Deus, por obra do Espírito Santo, nasceu de uma mulher e escondeu-se sob a forma do corpo de Maria. Após a ressurreição, por obra do Espírito Santo, o Senhor Jesus Cristo, homem-Deus, esconde seu corpo glorioso no silêncio e na forma despojada do pão eucarístico, “até o fim dos tempos” (cf. Mt 28,20).

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

 

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