PERDER PARA GANHAR!

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Buscamos sempre o melhor para nós mesmos. Nascemos e crescemos com o instinto de sobrevivência muito aguçado. Ninguém vive para morrer, como ninguém joga para perder.

Ter, acumular, guardar, possuir, comprar, lucrar… são verbos que conjugam os anseios mais legítimos de todos nós, mas, ao mesmo tempo, revelam obsessões e os descontroles por falta de limites, o que nos faz viver enganados.

Na verdade, nada é para sempre, nesse mundo. Tudo passa. Tudo tem começo, meio e fim. Tudo é frágil. Tudo é sopro! Tudo é poeira! Mas, o instinto de autoconservação nos coloca, o tempo todo, para buscar o prazer e evitar a dor.

É loucura descartar as evidências de transitoriedade das coisas e, até, de nós mesmos. Não somos para sempre sobre a terra e a vida é muito maior e mais valiosa do que aquilo que conseguimos quantificar, controlar e manipular.

A fé nos coloca frente a frente com o que parece contradição, mas, na verdade, é o mistério da vida sobre essa terra: tudo passa, só Deus permanece!

Afirmações de fé nos permitem viver de maneira mais sóbria e mais ordenada, diante das aparentes contradições da vida. Muito mais do que explicações, as afirmações de fé conferem sentido, razões e motivos para viver e seguir adiante.

Quando olhamos as Sagradas Escrituras encontramos muitos indicativos de cura para a obsessão consumista, hedonista e materialista, responsável pelo vazio que ganha proporções de abismo em nós.

A primeira de todas as curas é a do amor, como exorta São João em sua primeira carta: “Não amem o mundo e nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo – os apetites baixos, os olhos insaciáveis, a arrogância do dinheiro – são coisas que não vêm do Pai, mas do mundo. E o mundo passa com seus desejos insaciáveis. Mas quem faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1Jo 2,15-17).

Ligada à cura do amor está a cura da mentalidade ou critérios, de acordo com São Paulo aos Romanos: “Não se amoldem às estruturas deste mundo, mas transformem-se pela renovação da mente, a fim de distinguir qual é a vontade de Deus: o que é bom, o que é agradável a ele, o que é perfeito” (Romanos 12,2).

Por fim, a cura das prioridades, como diz São Mateus “…em primeiro lugar busquem o Reino de Deus e a sua justiça, e Deus dará a vocês, em acréscimo, todas essas coisas. Portanto, não se preocupem com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações. Basta a cada dia a própria dificuldade” (Mt 633-34).

A providência de Deus para a cura se confirma na promessa de refazer o nosso interior, destroçado pela fragmentação invasiva do coração, como profetiza Ezequiel: “Darei para vocês um coração novo, e colocarei um espírito novo dentro de vocês. Tirarei de vocês o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne. Colocarei dentro de vocês o meu espírito, para fazer com que vivam de acordo com os meus estatutos e observem e coloquem em prática as minhas normas” (Ezequiel 36,26-27)

A nós cabe, portanto, interiorizar e viver o “tempo para procurar e tempo para perder; o tempo para guardar e tempo para jogar fora” (Ecle 3,6). O importante é não ter medo de adotar novas posturas que combinam com as novas exigências, do tempo da cura, onde perder é ganhar:

“Se o olho direito leva você a pecar, arranque-o e jogue-o fora! É melhor perder um membro, do que o seu corpo todo ser jogado no inferno. Se a mão direita leva você a pecar, corte-a e jogue-a fora! É melhor perder um membro do que o seu corpo todo ir para o inferno” (Mt 5,29-30). Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? o que um homem pode dar em troca da sua vida?” (Mt 16,26).

O segredo da religião não são, antes de tudo, os preceitos e doutrinas mas, o encontro entre fé e vida, onde o seguimento a Jesus é mais importante que qualquer observância religiosa, porque vem antes e derruba toda pretensão e rigorismo.

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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