O ESPÍRITO DO SENHOR ESTÁ SOBRE MIM

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Todos nós somos, sempre, movidos por alguma coisa que atua, direta ou indiretamente sobre nós. Este ‘alguma coisa’ pode ser uma força, uma energia, um sonho, um ideal, uma ideologia, uma idéia, uma teoria, um desejo, uma vontade, um pensamento, um objetivo, uma palavra, uma convicção, uma obsessão, uma esperança, uma luta, uma descoberta, uma alegria, uma tristeza, um motivo, uma meta, uma influência, uma crença, uma fé…

Nem sempre nos damos conta de que algo nos move. Nem sempre nos perguntamos sobre aquilo que nos move. O fato é que todos nós somos movidos por alguma coisa e, nem sempre é por alguma coisa boa, capaz de edificar, realizar, fazer crescer e tornar mais gente.

Permita-se fazer essas perguntas: o que me move? Que força me arrasta? Sob que inspiração eu vivo? Qual é a minha maior energia? Que apelos ganharam meu coração? Com que espírito eu faço as coisas? Quando não nos perguntamos sobre o que nos move, nos deixamos arrastar, quem sabe, para longe de um processo humano consciente e maduro. O maior espaço de florescimento para a vida é o nosso interior mas, não nos damos conta disso e vivemos na superficialidade de tudo, aprisionados fora de nós mesmos. E essa é, certamente, a maior tragédia do ser humano.

A redescoberta do interior significa, também, um novo olhar e discernimento para aquilo que vai nos mover porque, afinal de contas, trata-se da nossa própria integridade e dinamismo humano. A Sagrada escritura fala, insistentemente, desse dinamismo humano, como movimento interior incessante.

Uma primeira fonte para o dinamismo interior é o amor próprio: “Quem se priva para acumular, ajunta para os outros. Serão outros que desfrutarão seus bens. Quem é mau para si mesmo, com quem será bom? Não aproveita nem mesmo os seus próprios bens. Ninguém é pior do que aquele que maltrata a si mesmo. Essa é a recompensa de sua própria maldade. Não se prive de um dia feliz, nem deixe escapar um desejo legítimo. Por acaso você não vai deixar para outros o fruto de suas fadigas, e não vai ficar para os herdeiros o fruto de seus sacrifícios? Dê e receba, e divirta-se, porque no mundo dos mortos não existe alegria” (Eclo 14,4-6.14-16).

Uma segunda fonte para o dinamismo interior é a vida comunitária: “De fato, o corpo é um só, mas tem muitos membros; e no entanto, apesar de serem muitos, todos os membros do corpo formam um só corpo. Assim acontece também com Cristo. Pois todos fomos batizados num só Espírito para sermos um só corpo, quer sejamos judeus ou gregos, quer escravos ou livres. E todos bebemos de um só Espírito. Deus é quem dispôs cada um dos membros no corpo, segundo a sua vontade.” (1Cor 12,12-21.27-30).

Uma terceira fonte para o dinamismo interior é a Palavra de Deus: “Na praça diante da porta das Águas, desde o amanhecer até o meio-dia, Esdras leu o livro para todos os homens e mulheres e para todos os que tinham o uso da razão. Todo o povo seguia com atenção a leitura do livro da Lei. Liam o livro da Lei de Deus, traduzindo-o e dando explicações, para que o povo entendesse a leitura. Vendo que as pessoas choravam ao escutar a leitura da Lei, disseram: ‘Hoje é dia consagrado a Javé, Deus de vocês! Não fiquem tristes e parem de chorar!’ Em seguida, Esdras falou: ‘Ninguém fique triste, pois a alegria de Javé é a força de vocês’” (Ne 8,2-3.5-6.8-10).

Uma quarta fonte para o dinamismo interior é a vida segundo o Espírito: “Jesus voltou para a Galiléia, com a força do Espírito(…). Conforme seu costume, no sábado entrou na sinagoga, e levantou-se para fazer a leitura. Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus encontrou a passagem onde está escrito: ‘O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos, e para proclamar um ano de graça do Senhor’” (Lc 1,1-4; 4,14-21).

Escolha o que, de verdade, deve mover a sua vida! Comece pela afirmação de Jesus: ‘o Espírito do Senhor está sobre mim…’

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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