Liturgia Dominical:”Existem orações que distanciam de Deus”

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Trigésimo domingo do Tempo Comum
Existem “orações” que distanciam de Deus
Dois homens sobem ao templo. Estes dois homens são duas categorias de pessoas religiosas. Ou, se quisermos, são a personificação de duas possibilidades que estão sempre diante de nós: podemos ser fariseus e podemos ser publicanos. Com esta parábola Jesus coloca em discussão os religiosos, os que crêem, aqueles que vão ao templo. Em outras palavras: nós!
Notamos imediatamente uma particularidade. Os dois homens vão ao templo: um sai justificado, o outro sai com um pecado a mais. Os dois vão para rezar: uma oração agrada a Deus, a outra é uma ofensa a Deus. Aparentemente, os dois têm boas intenções. No entanto, o resultado é diverso. Por quê? Porque não basta ir ao templo para ser bom. A lição de Jesus é clara e direta. Fixemos a nossa atenção aos personagens da parábola. O que faz o fariseu? A sua oração é atéia, porque a palavra se volta para Deus, mas de fato, ele exclui Deus. Deus não lhe serve. Por quê? Porque o fariseu é pleno de si, tem a presunção de achar que cumpre tudo. Só falta apresentar a Deus a conta, para que Deus lhe pague pelas boas obras realizadas.
Observemos de perto. Ele realiza boas obras, porém não têm valor porque partem de um coração orgulhoso e presunçoso. As obras que realiza estão a serviço do seu próprio orgulho. Ele não reza a Deus, mas contempla vaidosamente a si mesmo. Eis a conseqüência terrível, que às vezes se dá na vida de tanta gente: o orgulho o leva ao desprezo dos outros, ao desprezo dos irmãos (desprezou o publicano). E o desprezo aos outros é pecado. É grave pecado.
E o publicano! O que faz? Antes de tudo, para o bem da verdade, aquele homem é um pecador. Mas Jesus o observa e lê os seus sentimentos: neste homem existe sinceridade e humildade. De que parte Deus se coloca? É incrível! Deus se coloca do lado do publicano. Por quê? Porque o publicano está verdadeiramente arrependido, e saindo daquele templo será um homem novo, um homem que não desprezará o irmão, um homem que não será presunçoso, nem arrogante. Ele não conta vantagens diante de Deus: bate no peito e pede piedade porque sente-se pequeno diante do Senhor. O publicano nos indica a estrada da salvação. Coloquemo-nos de joelhos junto a ele, batamos o nosso peito porque somos pecadores e depois saiamos do templo cantando a bondade de Deus, condividindo-a com todos.
Acolhamos a lição. O fariseu pertence à categoria oficial dos justos, dos bons. No entanto, aos olhos de Deus ele é mal, porque Deus olha o coração: e o coração do fariseu é mau. O publicano pertence à categoria oficial dos pecadores. No entanto, aos olhos de Deus ele é um santo, porque a sua humildade faz florir o arrependimento. O coração do publicano se abre à bondade.

Dom Edilson Soares Nobre
Bispo Diocesano de Oeiras

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