Liturgia Dominical: “Quem vive na caridade, vive em Deus”

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VI DOMINGO DA PÁSCOA

Quem vive na caridade, vive em Deus

Sempre pensamos que a solução de tantos problemas nossos deve vir de fora. Se, por exemplo, sofremos por motivo de uma pessoa, somos levados a crer que para haver a nossa paz, aquela pessoa deve absolutamente mudar.
Não é justo pensar assim. Somos nós que, muitas vezes, devemos mudar o nosso modo de ser e de agir. Isto vale também na nossa relação com Deus. Sempre nós esperamos de Deus algum sinal. Porém, vale lembrar que o amor de Deus já está exposto diante de nós: basta somente percebê-lo e acolhê-lo. Por isso Jesus insiste sobre a mudança interior dos Apóstolos e fala da necessidade de receber o Espírito Santo. Por quê? O Espírito Santo é Deus acolhido dentro de nós, para que seja Ele a condizir-nos, a preencher o vazio da nossa alma.
Sim, o vazio! De fato o primeiro momento da conversão de uma pessoa é a consciência de ser vazio e pobre, a consciência de ser nada.
Dizia H. de Lubac: “Deus não morre no dia em que deixamos de crer nele; mas nós morremos no dia em que nos cansarmos dele”. Acolher o Espírito Santo, então, torna-se o nosso empenho de cada dia.
Jesus disse: “Eu rezarei ao Pai e Ele vos dará um outro Cosolador, o Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê e não o conhece” (Jo 14,16). Jesus insiste sobre as condições interiores para acolher Deus e ver Deus: enquanto o nosso coração é apegado ao pecado, nós somos como cegos, não podemos ver Deus.
Jesus Assegura a possibilidade de uma experiência nova, fruto da sua morte e ressurreição: é a experiência da vida nova no Espírito Santo. Tantos cristãos têm feito esta experiência. E não apenas os santos do calendário! Tantas pessoas têm encontrado na vida aquilo que nós muitas vezes não conseguimos encontrar. Se encontraram a paz, a paz existe; se encontraram a alegria, a alegria existe; se encontraram Cristo, Cristo é vivo e possível de ser encontrado.
Resta-nos uma interrogação: Qual é o sinal da presença do Espírito de Jesus dentro de nós e em meio a nós?
Jesus, na última ceia, disse aos Apóstolos: “Eu sou a videira e vós os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, produz muitos frutos, porque sem mim não podeis fazer nada” (Jo 15,5). Permanecer em Cristo significa permanecer no amor. Deus é amor: vivendo o amor, nós mergulhamos em Deus, nos enchemos da alegria de Deus. Eis então a conclusão importante para a nossa vida cristã: quem vive na caridade, vive em Deus e tem já o Paraíso dentro de si. Se falta a caridade, tudo é sem valor.

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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