Liturgia Dominical: Quem é o verdadeiro fortunado: o pobre ou o rico?

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Vigésimo Sexto Domingo do Tempo Comum
Quem é o verdadeiro fortunado: o pobre ou o rico?

Sabe qual é o desafio para qualquer cristão? É decidir-se a viver a caridade, porque só o amor é digno de crença. Vejamos o que nos diz o Evangelho de hoje!
Jesus nos fala mais uma vez através de parábola. Por trás do seu discurso há uma interrogação. Quem é o verdadeiro Fortunado: o pobre ou o rico? Quem está bem ou quem faz o bem? Quem se diverte ou quem se converte? Resposta: é o pobre, é quem faz o bem, é quem se converte!
Em Lourdes, na França, eu tive a oportunidade de ver uma celebração que reunia uma imensa multidão de enfermos que eram conduzidos àquela grandiosa praça na esperança de sanar as suas enfermidades. Ali se misturavam enfermos e sãos, todos movidos pela fé. Diante daquele espetáculo de fé eu pensava comigo: o que adianta estar bem se nos falta a fé, se nos falta a esperança, se nos falta a caridade? Pra que serve ter as mãos se estas só servem para fazer o mal? Pra que serve ter uma vida plena de saúde se esta se resume ao ócio, ao vazio, ao pecado?
É a mensagem do Evangelho. “Havia um homem rico que se vestia de roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias” (Lc 16,19). Notemos que Jesus apresenta o caso de um rico egoísta, portanto é o egoísmo o motivo da condenação. Notemos também que Cristo não dá o nome ao rico egoísta. De fato, quem vive para si é um falido e não tem nome; ou seja, é nada, é zero, porque deixa fora o projeto da vida. A verdadeira desgraça é o egoísmo.
“Um pobre chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão à porta do rico. Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas” (Lc 16,20-21). Cristo dá um nome ao mendigo: chama-se Lázaro. Lázaro é um homem visitado pela cruz; um homem que aparentemente não vale nada, que todos refutam. Nasce imediatamente uma pergunta: Quem dos dois é fortunado? Cristo responde: O rico morreu e o egoísmo foi o seu inferno. Lázaro morreu e a paciência lhe maturou a alegria do paraíso. Lázaro, portanto, tem Deus do seu lado.
É clara nestas palavras de Jesus a afirmação da eternidade como último critério para avaliar o presente e também para entender a justiça e a misericórdia de Deus. A parábola nos recorda que o cristão vive o hoje impulsionado para o último dia, no qual prevalecerá para todos a justiça de Deus, que é misericórdia para quem escolheu a misericórdia e condenação para quem refutou a misericórdia. Quando olhamos o evangelho por esta ótica compreendemos facilmente por que algumas pessoas de condições abastadas são capazes de partilharem os seus bens e de darem a estes um novo destino, colocando-os a serviço do bem e dos mais necessitados.

Dom Edilson Soares Nobre
Bispo Diocesano de Oeiras

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