Liturgia Dominical: “O cristão pode ser odiado mas, não pode odiar”

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Sétimo Domingo do Tempo Comum
O cristão pode ser odiado, mas não pode odiar
No domingo passado Cristo identificou no ódio a raiz da violência entre os indivíduos e os desafiou a sair do ódio para viver a experiência do amor. Hoje o seu discurso vai mais adiante e torna-se mais clara a novidade do cristianismo: “Vós ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, vos digo; não enfrenteis quem é malvado!”. (Mt 5.38-39). Aprofundemos o significado destas palavras. Será que Cristo nos convida a sermos fracos? Medrosos? Nada disso! Cristo, de fato, não proíbe a firmeza e a decisão, mas pede que abandonemos o ódio e convida a superarmos a ofensa através da humildade. Nós é que na nossa ignorância pensamos que o mal se vence com o mal. Não é verdade! Assim o mal se multiplica.
Gandhi era convicto disso. Dizia ele: “Enquanto não expulsarmos a violência da nossa civilidade, Cristo não nascerá. E Acrescenta: “A não violência é a maior força da qual dispõe a humanidade. O mundo está cansado do ódio. O ódio só pode ser vencido pelo amor”. O que ele diz não é ingenuidade, é lição de fé, testemunhada por um não cristão.
Retornemos ao discurso de Jesus. Ele acrescenta: “Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ Eu porém vos digo: amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem” Assim vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus…” (Mt 5,43-45).
O verdadeiro cristão não pode odiar. Este deve ter uma identidade própria, onde através de suas atitudes o mundo poderá identificar a imagem e semelhança de Deus. E como sabemos Deus não pode odiar. Existem os inimigos de Deus, mas Deus não é inimigo de ninguém. Deus é sempre Pai. É o homem que se distancia de Deus, mas Deus nunca se distancia de ninguém. Assim, o cristão também pode ter inimigos: “perseguiram a mim e perseguirão Também a vós”. Mas isto não dá ao cristão o direito de ser inimigo.
A nossa missão é amar e viver a caridade. O católico pode ser odiado, mas ele não tem o direito de odiar ninguém. A nossa resposta diante do ódio deve ser sempre a caridade e o perdão. Assim fala Jesus: “Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,46-48).


Dom Edilson Soares Nobre
Bispo Diocesano de Oeiras

 

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