Liturgia Dominical: “Não há vida sem sacrifício”

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Primeiro Domingo da Quaresma

Não há vida sem sacrifício

O Evangelho de hoje é breve, mas é bastante denso. Cada frase há um grande significado para o caminho de conversão que devemos fazer neste tempo privilegiado da quaresma. Diz o evangelho: “O Espírito levou Jesus para o deserto” (Mc 1,12). Por quê? Porque o deserto é um dos bens que o homem não pode desconsiderar.

Por isso Jesus sempre buscava momentos para estar só. Antes de escolher os apóstolos ele passou a noite inteira em oração. Depois de uma intensa jornada em Cafarnaum, se levantou e foi a um lugar solitário para orar. Jesus tinha necessidade de falar com o Pai em silêncio. Quem mais do que Ele sentia o fascínio de Deus?

Por que esta necessidade? Porque o homem, nascido bom, percorreu tanta estrada e criou uma grande distância entre si e Deus. Cristo sentiu o peso desta situação, vivendo em uma carne frágil como a nossa: para ele a oração e o silêncio deviam ser exigências fortíssimas. Ninguém melhor do que Ele sabia e sentia que sem Deus o homem está perdido, sem Deus o homem é insignificante.

Chegamos ao tempo da Quaresma! Por que não também nós procurarmos e encontrarmos mais tempo para nos nutrir do silêncio, da escuta da Palavra de Deus e de adoração? Dizia Carlos Carretto: “Vou ao deserto para desentoxicar-me de uma vida na qual não encontro Deus”.

Continua o evangelista Marcos: “Permaneceu no deserto durante quarenta dias e aí foi tentado por satanás” (Mc 1,13). Marcos não se preocupa em dar conteúdo às tentações. Ele sabe que toda a vida de Jesus foi uma prova: como assim é a vida de cada um de nós. Realisticamente, Ele nos avisou: “quem quiser me seguir, tome cada dia a sua cruz e me siga” (Mc 8,34). Isto, necessariamente, não implica em tristeza. De modo algum! Se ele chamou de beatos (felizes) os pobres, os humildes, os pacíficos, os misericordiosos, os perseguidos, é porque ele conhecia já esta bem-aventurança e sabia que a felicidade passa através do sacrifício, do empenho, do renegamento, da superação de si e do serviço.

Conclui o Evangelho de hoje: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no evangelho” (Mc 1,15). O tempo se completou: não esperemos milagres, não esperemos outros avisos da parte de Deus. Deus já deu o máximo, doando-nos o seu Filho. Não vivamos em uma estéril espera de um amanhã que será sempre como hoje, se não nos decidirmos de renová-lo.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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