Liturgia Dominical: “Não ardiam os nossos corações quando Ele nos falava?”

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Terceiro Domingo da Páscoa
“Não ardiam os nossos corações quando Ele nos falava?”
Dois discípulos deixam Jerusalém e seguem na estrada em direção a Emaús levando no coração a desilusão e a amargura. Não é difícil ver nestes discípulos algo de nós mesmos, das nossas desconfianças e dos nossos cansaços. Mas eis a surpresa: Deus não nos abandona nem mesmo quando desistimos. Ao contrário, a amargura da viagem se torna nas mãos de Deus uma ulterior tentativa de salvação.
Um escritor de nome Juan Arias afirma: “muita gente volta pra Deus através da estrada da desilusão e Deus se contenta mesmo assim”. Jesus, de fato, se aproximou dos discípulos exatamente no memento em que esses o colocaram em discussão e o descartaram. Deixemos que o Evangelho nos fale: “Enquanto seguiam e discutiam juntos, Jesus se aproximou e caminhou com eles. Mas os seus olhos eram incapazes de reconhecê-lo. Ele lhes disse: ‘A respeito de que discurso estais falando entre vós durante o caminho?’ Com o rosto triste um deles, de nome Cléopas, lhe disse: ‘tu és o único forasteiro em Jerusalém a não saber o que aconteceu nestes dias?’” (Lc 24,15-18).
Onde está a esperança? Onde está a Páscoa? Diante de uma vida desconfiada, quem pode encontrar a estrada da esperança? Jesus reage diante daquele comportamento dos discípulos de Emaús e reprova os dois com palavras fortes. Utiliza as Escrituras para explicar-lhes os últimos acontecimentos. A incredulidade é uma tremenda pobreza; é um retardo que não permite de sintonizar-se com o passo de Deus na história.
Como reage Jesus? O que Ele faz para ajudar àqueles discípulos desconfiados e desiludidos? Jesus convida-lhes a “ler” o milagre das profecias messiânicas. Os dois discípulos ficam admirados com as palavras de Jesus. Mas ainda não entraram na fé. Jesus finge ir adiante e abandoná-los. Os dois prontamente exclamam: “Fica conosco Senhor, porque é tarde e a noite já vem” (v. 29). Estas palavras são um grito de humildade; são uma primeira afirmação de fé; são uma declaração de pobreza humana e de necessidade de “Alguém”.
Quantas vezes nos falta esta humildade e quanta gente não encontra Deus porque o procura sem colocar em discussão a própria vida. A este ponto Jesus se deixa reconhecer: “Quando foi à mesa com eles, pegou o pão, o abençoou, o partiu e o distribiu com eles”. Alí aconteceu a páscoa na vida daqueles discípulos. Seus olhos se abriram e foram capazes de reconhecer o Senhor.
Todos nós somos chamados a percorrer a estrada de Emaús. Cada domingo, cada dia, até quando Jesus não desaparecerá mais da nossa vista, mas se fará ver e permanecerá sempre conosco. Será uma festa infinita!

Dom Edilson Soares Nobre
Bispo Diocesano de Oeiras

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