Liturgia Dominical: “Me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres”

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Terceiro Domingo do Tempo Comum
Me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres
Lucas inicia o seu Evangelho com uma dedicação: “Escrevo a ti, Teófilo” (Lc 1,3). O que significa? Não obstante sendo o Evangelho dirigido a todos, esta dedicação indica atenção especial à singular pessoa. Ou seja, é dedicado a cada um individualmente. Não podemos nos perder na massa. A vida é vivida em primeira pessoa. Mas Lucas acrescenta: “Desse modo poderás verificar a solidez dos ensinamentos que recebeste” (Lc 1,4).
Eis um raio de luz sobre o significado da religião cristã. Ela não é feita de comoventes lendas ou de fábulas edificantes. A religião cristã nasceu de uma pessoa concreta: uma pessoa que nasceu veramente em Belém, caminhou pelas estradas, operou milagres, pronunciou palavras nunca ditas antes, sofreu uma injusta e absurda condenação e depois improvisamente retornou ao centro da vida de um pequeno grupo de pessoas. Os apóstolos quando falavam tentavam esclarecer este aspecto da fé. Lembramos aqui a primeira carta de São João: “O que ouvimos e o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e o que nossas mãos apalparam…Isso que vimos e ouvimos, nós agora o anunciamos a vocês” (I Jo 1, 1-3).
O nascimento do cristianismo é um enigma histórico que se explica somente exclamando com o centurião aos pés da cruz: “Verdadeiramente este é o Filho de Deus!” (Mc 15,39).
Mas aqui aflora um problema sutil: Hoje, onde podemos encontrar Cristo? Onde é hoje a estrada de Damasco, que possibilitou o encontro de Saulo com Jesus e conseqüentemente a sua conversão? Onde está a margem do lago da Galileia, na qual Pedro e André encontram Cristo? No Evangelho encontramos a resposta. Um dia – narra Lucas – Jesus se encontrava em Nazaré. Ele queria participar da reunião do sábado, como um bom israelita. O que acontece? Jesus é convidado a ler. Pega o livro do profeta Isaías e em alta voz proclama: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a boa nova aos pobres…” (Lc 4,18-19). Eram palavras conhecidas, mas eis a novidade. Enrolando o livro Jesus diz: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir” (Lc 4,21). Inicia assim o cristianismo! Uma grande novidade estava entrando no mundo. Quem acreditou nas palavras de Jesus? Os pobres de espírito e os puros de coração reconheceram a Sua presença.
Talvez aqui encontremos a resposta à indagação feita anteriormente. Onde é a estrada de Damasco? É a Igreja. A Igreja é o hoje de Cristo. A Igreja é o caminho que Cristo depositou neste mundo, cheio de contradições e de maldade. São suas estas palavras: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20,21). “Não vos deixarei órfãos, retornarei a vós” (Jô 14,18). “Ide pelo mundo e anunciai a Boa Nova. Eis que eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,19-20).

Dom Edilson Soares Nobre
Bispo Diocesano de Oeiras

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