Liturgia Dominical: “Eis que a sabedoria bate a nossa porta”

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XXXII Domingo do Tempo Comum
Eis que a sabedoria bate à nossa porta
A primeira leitura (Sb 6,12-16) fala de um dom especial que pode atingir a todo ser humano que amadurecido necessariamente o possui e o quer possuir eternamente. Exatamente para mostrar sua atração sobre os seres humanos equilibrados, ela é apresentada como uma bela jovem no esplendor de sua beleza e juventude. Diz o livro, em seu versículo 12b: “Ela é facilmente contemplada por aqueles que a amam, e é encontrada por aqueles que a procuram”. Ela está à mão, basta um esforço para encontrá-la. Ela está à nossa porta, esperando por nós. Ela pretende nos ensinar a viver bem, a ter um relacionamento correto com as pessoas, a sermos humildes, a sermos coerentes. Mais do que quere-la, do que deseja-la, será necessário amá-la, empenhar-se em sua busca.
O Evangelho, extraído de Mateus, 25,1-13, nos reforça essa atitude do empenho. Temos a parábola das cinco virgens prudentes e das cinco imprudentes. Qual a grande diferença? As prudentes estavam de tal modo empenhadas, que não concordaram com os pedidos das demais em cederem parte do azeite para suas lanternas, para que não perdessem a oportunidade de receber o noivo, quando esse chegasse e pudessem entrar para a festa. As pessoas menos conscientes dirão que foi falta de solidariedade, de coleguismo. Jesus as elogia e chama isso de prudência, prudência em não ceder o que já haviam conquistado quando vieram para a festa. Se tivessem cedido, não teriam entrado para a celebração, elas estavam empenhadas em participar da comemoração das núpcias, receberam o convite e o aceitaram; tomaram as providências necessárias e agora deveriam esperar a chegada do esposo. Mesmo correndo o risco de serem tachadas de egoístas, ou de outros adjetivos, sabiam o que queriam e, para isso, não faltou persistência. As outras cinco receberam o convite, deram o sim, mas foram relapsas, não tiveram a tenacidade das anteriores em relação ao querer participar do festim.
Jesus, com essa parábola, nos dá um grande alerta. Todos recebemos o convite para as Bodas do Cordeiro, para a celebração do Casamento dele com a Humanidade; no batismo demos o nosso sim, mas as vicissitudes do dia a dia nos distraem e nem todos temos o empenho, a obstinação em perseguir o que queremos, ou seja, a fidelidade na espera de nossa união definitiva, da perseverança até o momento da celebração derradeira e permanente das núpcias, de nossa morte, quando seremos todos de Jesus. A sabedoria está em não nos distrairmos com as falsas riquezas, falsas alegrias e falsos prazeres e com tudo isso gastarmos nosso azeite. Ninguém poderá nos emprestar ou, pior ainda, vender o azeite que ilumina nossas lâmpadas, já que esse azeite precioso é dom de Deus, é a Sabedoria.
São Paulo, na 1ª Carta aos Tessalonicenses 4,13-18, na segunda leitura, nos fala, logo no versículo 15 que “nós que formos deixados com vida para a vinda do Senhor não levaremos vantagem em relação aos que morreram”. Nós recebemos a mesma quantidade de azeite, de tempo, de sabedoria. Tudo dependerá, como dependerá também dos que já tiverem morrido, do uso que fizeram do tempo e de como se prepararam para a chegada do esposo, que virá no meio da noite, segundo o Evangelho. Como estamos usando o nosso tempo? Com sabedoria? Com empenho? Vivendo a obstinação dos que desejam entrar na glória com o Cristo e lá viver as núpcias para sempre?

Dom Edilson Soares Nobre
Bispo Diocesano de Oeiras

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