LEMBRA-TE DE MIM, QUANDO VIERES EM TEU REINO

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Quanto mais o tempo passa, mais eu vejo os cristãos (nas diversas denominações, sem exceção) professando e vivendo a fé, bem distante daquilo que, originalmente, a fé cristã tem de melhor, mais bonito e mais profundo: o Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.

Jesus não é mais um profeta que aparece na história de Israel, ele é o Messias, o Ungido, o Enviado, o Filho do Deus vivo. Ele não veio ao mundo, simplesmente para sacramentar o Judaismo com toda a sua estrutura: leis, ideologia, status, esperança e poder. Jesus não é uma mera continuidade. Pelo contrário, ele significa a ruptura com o poder religioso, político e econômico. A missão de Jesus está para além da esperança messiânica dos judeus, para quem, até hoje, o Messias ainda está por vir; está para além da imagem de um Deus distante, de quem, nem sequer se pode falar o nome; está para além de uma religião de ritos, sacrifícios, dízimos, retribuições e leis.  A missão de Jesus é bem determinada: revelar o rosto do Pai e anunciar o Reino de Deus.

A missão de Jesus questiona, sacode, desestabiliza e estremece o status quo (o estado em que estão as coisas, o que está estabelecido como verdade suprema) da sociedade da época e, porque oferece perigo é perseguido até a morte.

De que maneira a missão de Jesus representa um perigo para a sociedade, a ponto de ser perseguido e morto?

Falar de Deus como seu Pai é uma Blasfêmia. A imagem de Deus sempre sugeriu distância (intocável, indizível…), não só no imaginário, mas, também, na prática religiosa do povo eleito. Deus é, sempre, Senhor, Todo-poderoso, Senhor dos Exércitos, Onipotente, Altíssimo, Rei da Glória, Santo. Quando Jesus fala de Deus como Pai, joga por terra o edifício teológico dos judeus, além de pôr em descrédito os direitos religiosos, o poder da casta sacerdotal e seus privilégios no templo, no culto, na lei, no dízimo e na sociedade. Uma verdadeira bomba para a “paz” da religião que justificava toda perseguição a Jesus chamado de blasfemador (cf. Jo 5,17-18).

Falar de um reino ou rei que não seja de Cesar é Anarquia. Os reinos e os reis sempre se justificaram, pela unção recebida do sacerdote e pela ligação com o templo, como absolutos, intocáveis e sagrados. Qualquer palavra, iniciativa ou atitude contra os reinos e os reis era palavra, iniciativa e atitude contra Deus. A teologia e, por conseguinte, a ideologia nascida destas justificativas, reforçam e mantinham intactos o poder, a política, a economia e a cultura de opressão sobre um povo, sempre submisso e conformista. Quando Jesus anuncia um reino-rei que não é deste mundo, põe em perigo toda a estrutura de poder dos reinos e dos reis “O meu reino não é deste mundo…” (Jo 18,36).

Jesus não se intimida, em sua missão e, vai até ao extremo da Cruz revelando o máximo do amor de Deus e a emergência do seu Reino.

Em que sentido os cristãos estão professando e vivendo uma fé distante da originalidade da fé cristã?

O distanciamento da fé original (Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus) está na instrumentalização da fé em função de qualquer pretensão humana, ainda que provenha de uma necessidade legítima. Por exemplo, usar a fé-religião, simplesmente, para sucesso financeiro e material, para ascensão política, para satisfação imediatista dos desejos e prazeres.

A fé tem que ser experimentada como algo que só Deus pode dar: a Conversão, a Redenção e a Salvação. De fato, o Reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14,16-19.22.23b). Jesus é Rei, o seu Trono é a Cruz; seu cajado é a justiça e sua vitória é a ressurreição (Lc 23,35-43). Dêem graças ao Pai, que permitiu a vocês participarem da herança dos cristãos, na luz (Cl 1,12-20).

No Alto da cruz, ao lado de Jesus, o ladrão arrependido, compreendeu a verdade sobre o Reino de Deus e o Rei Jesus: “Jesus, lembra-te de mim, quando vieres em teu Reino.” Jesus respondeu: “Eu lhe garanto: hoje mesmo você estará comigo no Paraíso.” (Lc 23,42b.43)

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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