Homilia de Dom Edilson Nobre por ocasião da Missa do Crisma

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MISSA DO CRISMA 2024

Amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo!

A celebração eucarística que ora realizamos, por ocasião da bênção dos Santos Óleos, denominada MISSA DO CRISMA, acontece uma vez ao ano. A orientação litúrgica é que este evento aconteça na manhã da quinta-feira Santa ou, por razões particulares, em dias próximos a este. Na Diocese de Oeiras, é prática habitual realizarmos na segunda-feira da Semana Santa.

Na ocasião, vamos abençoar o óleo dos catecúmenos e dos enfermos e consagrar o Santo Crisma. O óleo dos catecúmenos será abençoado e disponibilizado para o Batismo daqueles que serão inseridos na vida da comunidade católica. O óleo dos enfermos, uma vez abençoado servirá como possibilidade de alívio e de cura para os féis enfermos que recebem o sacramento da Unção. Com o Santo Crisma consagrado serão ungidos os recém-batizados e serão marcados com o sinal da cruz os que vão ser confirmados; ungiremos também as mãos dos que serão ordenados presbíteros, caso haja alguma ordenação. É possível ainda, com o santo Crisma, ungir as Igrejas e seus respectivos altares.

Esta Missa Crismal é para nós sinal de unidade e de comunhão entre o bispo e seus presbíteros, de cujo múnus sagrado participam, na edificação, santificação e condução do povo de Deus, e deste modo se manifesta claramente a unidade do sacerdócio e do sacrifício de Cristo continuado na Igreja. Assim sendo, este encontro torna-se sinal e expressão de manifestação da comunhão dos presbíteros com seu Bispo e com sua Igreja. Por isso, essa Missa é, por excelência, considerada a Missa da unidade.

Logo mais, os nossos presbíteros estarão renovando as promessas sacerdotais que fizeram no dia da ordenação presbiteral. Renovar para reaquecer o coração, voltar à fonte e preservar o entusiasmo pelo exercício do ministério que a Igreja lhes confiou. Aliás, um ministério muito especial reservado apenas a alguns que foram tirados do meio do povo para assegurar a continuidade da Igreja, sobretudo, na administração dos sacramentos e na garantia de sua unidade, funções que lhes são próprias.

Queridos sacerdotes, as responsabilidades a vós confiadas são desafiadoras e exigentes, mas, bem sabemos que Deus não nos dá uma missão que não esteja ao nosso alcance. É bem verdade que isto nos pede uma contínua busca de capacitação e, também, vigilância constante na oração. Em nosso último retiro do clero, realizado em Teresina, em fevereiro passado, o pregador, padre Paulo Valentini, ao desenvolver o tema “que Cristo seja a vossa vida”, dizia-nos: É necessário redescobrir o desejo de estar perto de Deus”. Não é, porventura, a vivência deste proposito que nos vai fazer homens transfigurados a ponto de as pessoas verem em nós a pessoa de Jesus Cristo? Eu entendo que sim. Assim sendo, devemos nutrir continuamente a nossa fé e a nossa vocação. Por isso, o referido padre nos provocava a buscarmos dentro de nós as motivações mais profundas que nos levaram a querer ser padres. Será que encontramos respostas? Eu sei que neste caminho carregamos a marca do pecado. Sim, somos pecadores. Não somos homens perfeitos! No entanto, quando as pessoas nos buscam, elas procuram em nós sinais que exprimam santidade. Bem sabemos que, se “as palavras comovem, mas são os testemunhos que arrastam”. Se os sinais de santidade não se evidenciam, temos uma dívida para com Deus e sua Igreja.

A responsabilidade é grande! Mas, não tenhamos medo, porque não estamos sozinhos. Nosso Senhor está conosco. Sim, ele fez essa promessa: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20). O povo de Deus também está conosco. O povo reza pela nossa santificação e nós também o ajudamos a se santificar. Quanto mais soubermos lidar com o povo, maior a possibilidade de agregar e de formar o verdadeiro povo de Deus: um batalhão de pessoas que, através dos conselhos, pastorais, serviços e movimentos, estarão conosco, ajudando a remar o barco de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não é isto o que chamamos de Igreja Sinodal? Um povo santo de Deus que caminha junto, em espírito de colaboração e vivência da diocesaneidade? Sim, é isto! Deus seja louvado pela beleza e riqueza de um caminho que vem se construindo por mais de 2000 anos, um verdadeiro patrimônio histórico do qual todos nós fazemos parte, pelo fato de, um dia, termos sido atraídos pela pessoa de Jesus Cristo.

Nos textos bíblicos de hoje, ouvimos três leituras: Isaías 61,1-3a.6a.8b-9, Apocalipse 1,5-8 e Lucas 4,16-21. Estes textos vão direto à essência da missão confiada por Deus ao seu povo ao longo da história. Interpelam-nos a ser Igreja profética, serva, discípula e missionária, chamada por Nosso Senhor Jesus Cristo a comunicar e testemunhar o seu Evangelho.

Os textos ajudam-nos a perceber que a missão profética de Jesus é anunciada desde os tempos antigos, pelos profetas; e hoje, a missão profética de Jesus é continuada por seus ministros sagrados, aqueles que receberam o sacramento da Ordem, assim como também pelos consagrados e leigos engajados que, cientes da missão recebida no batismo, exercem o seu protagonismo na família, na Igreja e na sociedade.

A missão que o Pai confia a Jesus, e, consequentemente, a cada um de nós, conforme o Evangelho de hoje, é clara: 1) Anunciar a boa nova aos pobres. Existem pobres em nossa comunidade? Desenvolvemos alguma ação que ajude a promover estas vítimas deste desumano sistema oprimente e excludente? 2) Libertar os cativos. Quantas pessoas que se tornam escravas dos seus próprios vícios ou que vivem em condição que se equipara à escravidão! O que é possível fazer para os libertar de tal cadeia? 3) Iluminar os cegos. Existem dois tipos de cegueira: a) A cegueira física que impede o ser humano de ver os detalhes da vida, das cores e das coisas; b) A cegueira, fruto da alienação, que o incapacita de perceber a maldade de pessoas que exploram, maltratam e violentam. 4) Libertar os oprimidos. A opressão é fruto da ganância das pessoas que se tornam inconsequentes no modo de tratar o seu semelhante. Isto provoca uma sociedade desumana e injusta. Compete-nos combater qualquer atitude dessa natureza, pois, tal procedimento revela atentados à vida, o que torna-se contratestemunho para quem diz ter Deus em seu coração. 5) Proclamar um ano da graça do Senhor. Trata-se de um tempo jubilar, um momento novo criado pela presença de Deus em nossas vidas. O ano da graça de Deus chegou! Ele começou com a Ressurreição de Jesus e nunca mais vai acabar.

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

 

 

 

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