Homilia de Dom Edilson Nobre por ocasião da abertura do Novenário de Nossa Sra. da Vitória

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FESTA DE NOSSA SENHORA DA VITÓRIA 2020

MÃE DA VITÓRIA, CUIDAI DE VOSSOS FILHOS

“Ele viu, sentiu compaixão e cuidou” (Lc 10,33-44)

Quis a Providência Divina, que mais uma vez, pudéssemos estar aqui reunidos para celebrar Nossa Senhora da Vitória, padroeira de Oeiras e do Piauí. O nosso coração palpita de alegria e o nosso sentimento é de gratidão a Deus por esta graça alcançada. Lamentavelmente, ainda não podemos contar com presença física de todos os devotos, pois estamos vivendo um momento particular em nossa história. Uma pandemia assola nossas vidas. Fico eu aqui pensando qual é o sentimento daquelas pessoas que costumeiramente acorrem a nossa amada catedral para vibrar, celebrar, se alegrar, cantar e rezar, mas, pelas circunstâncias, sentem-se impedidas por encontrar-se em situação de risco. Se alguns de vocês que nos acompanham neste momento pelos veículos de comunicação se enquadram entre estes que eu mencionei, saibam que todas as noites, além do pão e do vinho, eu os colocarei diante do altar do Senhor, como sacrifício e oferenda agradável a Deus em prol da purificação e santificação de seu povo.

Nesta ocasião dirijo o olhar e a atenção à minha querida Mãe: “Senhora da Vitória, cuidai de vossos filhos”. Ninguém melhor que tu, oh Senhora, com teu instinto maternal, para ajudar-nos a despertar para o nobre sentimento do zelo e do cuidado com a vida de cada irmão e irmã, especialmente aqueles que se encontram “à beira da estrada” feridos e chagados pelas mais variadas causas, precisando de atenção, reinserção, respeito, dignidade, saúde (do corpo e da alma), autoestima, direcionamento… O nosso desejo, ó Mãe, é fazer como o teu Filho nos ensina: “Viu, sentiu compaixão e cuidou”.

Sabemos, irmãos e irmãs, que o testemunho e ensinamento de Nossa Senhora passa pela experiência da escuta, assim, também nós o faremos, buscando a luz da Palavra de Deus para que ela aqueça nossos corações e motive nossas vidas.

Se os homens compreendessem quanto Deus os ama, sua vida seria tranquila e alegre. Não são os inevitáveis sofrimentos da existência que os haveria de privar de serenidade e alegria, porque teriam uma esperança maior do que tudo. A primeira leitura que ouvimos hoje é do Profeta Jeremias (Jr 31,1-7). A mensagem do profeta nesta perícope é anunciar o tempo da salvação e da restauração de Israel. “Diz o Senhor, serei Deus para todas as tribos de Israel, e elas serão meu povo” (31,2). O destaque aqui são os destinatários: todas as tribos: um sinal de inclusão vai se manifestando já no Antigo Testamento.

Persiste Deus nas suas opções ao falar pela boca do profeta: “Amei-te com amor eterno e te atraí com a misericórdia. De novo te edificarei, serás reedificada, ó jovem nação de Israel…” (31,3-4). Deus ama e chama. Aliás, “Amados e Chamados por Deus” é o tema trabalhado neste mês de agosto, escolhido pela Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB. Não há lugar para prantos estéreis, para desespero. Deus está conosco, caminha conosco para nos levar ao seu “reino’ onde domina o amor, a fraternidade, a alegria. Isto se realiza todos os dias, na esperança.

O Evangelho de São Mateus 15,21-28 nos ajuda a compreender melhor o significado da fé, a partir de um testemunho dado por uma Cananéia da região de Tiro e de Sidônia que com insistência gritava: “Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim: minha filha está cruelmente atormentada por um demônio!” (15,22).

A procedência dessa mulher e localização geográfica onde Jesus se encontrava não são insignificantes. Ela surge de uma região de pagãos. Para os judeus os pagãos eram “cães” excluídos do banquete messiânico. A salvação, segundo a interpretação dos judeus era para a sua raça, apenas. Percebe-se a tensão e o desprezo até mesmo nas palavras de Jesus: “Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-los aos cachorrinhos” (15,26). A mulher, com humildade e fé, apresenta a Jesus, filho de Davi, um pequeno direito aos “restos” de pão do banquete. “É verdade, Senhor, mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos” (15,27).

A cananeia surgiu para provocar uma mudança de paradigmas. Quem disse que a salvação é somente para uma casta? “Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres” (15,28). De nossa fé em Cristo devem brotar duas atitudes. Como aquela mulher, devemos reconhecer em Jesus aquele que nos pode “curar” de nossos males. E como ele nos ensina, devemos ser abertos a todos, sem discriminação de raça, cor, classe social.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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